Vendo os comentários dos "Encontros BDE", lembrei da última cerva que tomei nos confins cariocas, com Flavinha e Ossip em um bar de metaleiros, no Baixo Méier, logo após ter conhecido Don Perrignone e a bela Viviane...E o que resolvemos fazer naquele ambiente cheio de fumaça de cigarro (?) e ouvindo os berros do Ozzy? Pois é... Resolvemos fazer poesia,rs Segue abaixo uma das que nasceram naquele ambiente:
Eu outra vez
quase no lado negro da força
eu lembrando os olhos
que aqui não estão...
eu bêbado
sem dó nem piedade
estou no Rio
céu e inferno em forma de cidade
Que se fodam as chamas
se as companhias que te chamam
são as melhores possíveis
Quero parar de escrever
a vez da caneta ceder
mas a idéia não me deixa
abandono a pena...
volto outra vez para a cerveja
24 julho 2007
18 julho 2007
LIVRE ARBÍTRIO
Um despertar de raiva. Havia vários jeitos de se acordar, mas o despertar raivoso realmente preocupava. Sempre descambava em merda. Em dias destes, já tinha largado ótimos empregos, terminado bons namoros, destratado péssimas amantes, mudado toda uma vida. Só um fato não mudava. Em dias como este, sempre fazia merda. A raiva incontida, trotoava ligeira sob a fronte, esperando um comentário menos inteligente, uma brincadeira maldosa, um esboço de pensamento para lançar-se mundo afora, represada que era normalmente, disfarçada em um sorriso cortês e gentil; em certos aspectos ainda vivia orientado por manuais de lanchonetes fast-food. Um despertar de raiva era tudo que a raiva podia querer. Concedia condicional para o mal aprisionado dentro d´alma, inconcebível, diante algumas opiniões, inexistente perante outras, detestável e esquecível para quem já o havia presenciado. Janis deslizava pelo ar, ordenando tentar (just a litle bit harder), então era só amar, amar, amar alguém. Quem? A raiva, agora ódio, não sabia responder. Então era isso: o tempo passava continuamente e as possibilidades iam se esgotando. Quanto mais tempo, menos variáveis. Quanto mais experiência, menos lugares para aplicá-la. Quanto mais ódio, menos pessoas para direcioná-lo; o afastamento da humanidade, pelo menos na ótica das relações interpessoais, granjeia adeptos diariamente. Séculos de está bom assim, tá certo, eu concordo e não se preocupe, costumam se incrustar n´alma, se avolumando e enegrecendo humores, causando desconforto e rancores. Rancores estes alimentados diariamente com sucrilhos, adolescentes fortes que se tornam adultos vigorosos, tomam corpo e exigem espaço: pronto, está se formando mais um psicopata.
Pensamentos que ecoam em um cérebro rápido e celerado, dando voltas cada vez mais aceleradas sem pit-stops, levam passos pausados para lojas de armas. Dedos longos indicam, os olhos observam e a boca matraqueia qualidades do objeto procurado. Repetição, eficácia, penetração, alcance e calibre são estudados. Por sugestão do vendedor, que fez vista grossa pela falta do porte de arma, ao ver as notas dispostas em série, a escolha do mais caro: se já tivesse munição, começaria por ali. Um teste, por assim dizer. Se municia falando em caçada, indiferente à indiferença pela mentira, abre a mochila e se vai. O vendedor vai até a porta da loja e dá um sorriso satisfeito.
Uma praça de alimentação de shopping-center, dois ovos maltine e cinco casquinhas depois, observava com frieza o ambiente climatizado. A mão isolada dentro da capanga, esperando trêmula pelo instante, uma faísca que falta surgir. Uma vontade de acabar com tudo que restava ser saciada. Um momento de revide no presente, um retraçar de metas estipuladas em vidas que passeiam paralelamente alheias. O gosto do poder de comandar destinos, na verdade, de destruir sonhos, enterrar esperanças e silenciar vozes. O levantar estático, disposição suicida de não voltar atrás, espera começar pelos que sorriem mais, estes que debocham das dores e dos amores, ao som do mar e à luz do céu profundo, fulguram... Figuram colunas sociais e escândalos nacionais, sob o manto mesquinho e avarento da impunidade; por que todos não somos perdoados? Por que a condescendência atinge somente alguns? Por que a vida nega favores justamente para aqueles que mais deles necessitam? Doze balas iriam dar as respostas que procurava? Talvez não, mas havia trago vários pentes sobressalentes; continuaria seus questionamentos até achar uma resposta razoável. Ou uma morte rápida...
Deu um passo adiante, já tirava a arma de dentro da mochila quando esbarrou em uma senhora franzina que trabalhava na limpeza. Levava uma bandeja repleta de copos de papel e restos de sanduíche que espatifaram-se no chão, causando uma bagunça e um barulho não observados pelos comensais que continuavam a rir, beber, conversar, comer, mentir e opinar sem darem a mínima atenção ao que acabara de acontecer. Ele abaixou timidamente, desculpando-se pelo acidente. A velha, ajoelhada no piso, deu um sorriso amargo e sincero, confirmado pelo olhar cansado e castanho de muitos anos de luta:
- Tudo bem,meu filho! - Aquelas palavras causaram tanto impacto em sua mente febril, que ele teve que dominar-se para que uma onda de emoção, vinda não se sabe de onde, o dominasse. Acocorou-se ao lado da velha, pensava no que faria, afinal aquela senhora de joelhos em sua frente, não obstante todos os problemas, as dificuldades, humilhações, desrespeitos, continuava a manter viva a chama indomada da esperança em dias melhores; de lutar a cada dia uma batalha que ele já julgava perdida e por isso decidira ir ali, com aquele intento assassino na cabeça...Sentiu que uma onda de emoção percorria seu corpo, coisa que até então não havia lhe ocorrido. Parados naquele instante, pode ver que ela olhava com tristeza para a arma que segurava.
- Isso resolve algo? – apontou para os indiferentes que os cercavam e arrematou – Há algum dentre eles que é menor do que nós, para que possamos tomar as mesmas atitudes que sempre tomam? Em quê melhoramos e onde chegaremos?
Final
Fechando a mochila com um gesto rápido, precipitou-se para a saída. Ao passar por uma lata de lixo jogou o invólucro recheado de morte e pegou o rumo de casa. Por-se-ia a escrever, esta noite. Sua loucura sempre apaziguava quando escrevia.
O sol caia lento no horizonte quando dois personagens se encontraram no estacionamento do centro de compras:
- Você trapaceou... – acusava o rapaz... – Interferiu nas escolhas quando apareceu como uma pobre coitada que levava o mundo nas costas.
- Pensa que não sabemos que você ajudou na aquisição da arma?
- Errr... Hehehe. Continuam de olho em tudo, hein? Ora, convenhamos, no meu caso, trapacear não é novidade.
- Entendemos isso. Por isso a Direção optou pela segunda chance para o garoto repensar o que estava fazendo...
- E o tal do livre arbítrio? Vocês são muito historinha mesmo... Se têm uma coisa que não suporto é quando burlam as próprias regras... Elas se aplicam a mim? Lógico que não, pois se aplicasse não estaria lá embaixo, na segunda divisão! – Saiu andando e esbravejando, sumindo em uma nuvem de enxofre.
Final 2
Jogando a mochila nas costas, com um gesto rápido, levantou-se e apontou a arma para a primeira mesa, no rosto um olhar de ódio, olhava as vítimas, que ainda não haviam se dado conto do que ocorreria... Premia já o gatilho com um gosto de sangue na boca, quando um vulto branco, que podia jurar ser uma imensa asa de pombo, atingiu-o de lado, lançando seu corpo no vácuo... Despencou da praça de alimentação, no terceiro piso, vindo a se estabacar sobre a feirinha de produtos esotéricos; morreu em cima dos cristais que prometiam cura...
O sol caia lento no horizonte quando dois personagens se encontraram no estacionamento do centro de compras:
- Mas, mas que merda foi aquela? – acusava o rapaz, colérico.
- Um espirro... Pedimos sinceras desculpas...
- Isso não vale! Ela interferiu no prosseguimento das coisas! Eu quero uma contraprova! Marmelada!
- Ora, ora... Se não era você quem ajudou na aquisição da arma...
- Isso é, hum... Um detalhe. Suas regras não se assentam muito para mim. Mas eles... Eles ainda têm o livre arbítrio. E vocês não respeitaram isso!
- Quem disse não respeitamos? O que aconteceu foi um lapso e nossa representante já foi inclusive chamada pela Direção, para prestar esclarecimentos sobre o acontecido. Provavelmente estará sob suspensão até novas ordens...
- Sei, sei...
- Regra nº 764736473/E, interferência no andamento natural do Destino...
- Vem cá, você acha que ela vai ser punida?
- Olha, pra te dizer a verdade... Vamos ter que fazer uma CPI...
Final 3
Deixando a mochila cair ao lado, olhou em redor as pessoas que riam e viviam.. Sentiu o peso duro e frio da própria existência, sentiu que a culpa não era do mundo, da vida ou das pessoas... A culpa sempre fora sua, de sua incompetência de gerir a própria existência, sua covardia em assumir riscos e seu medo de viver... A culpa não era daquelas pessoas que alegres viviam; um ser repugnante como ele não merecia continuar respirando o mesmo ar das outras pessoas...
Em um gesto rápido colocou o cano da arma na boca e premiu o gatilho. A explosão do cartucho aconteceu imediatamente... As bochechas ainda se estufavam pela expansão do ar, sendo empurrado pela bala que ainda atravessava o cano, quando ressoou alto, congelando o tempo e os movimentos:
- Pode parar por aí...
- O que você está querendo fazer? Mexer no contínuo tempo da vida? É total e completamente fora das regras! – a faxineira, junto ao recém chegado, eram os únicos que se moviam no espaço estático.
- Que regra o quê... Peguei vocês manipulando tudo, aqui e agora, sem desculpa nenhuma!
- Tá, quer dizer que você não entregou a arma nas mãos dele...
- Isso não vêm ao caso. O que importa é que isso ia acontecer mesmo...Ele ia sacar a arma e distribuir bala pra tudo quanto é lado... O bonde hoje ia descer cheio. E agora, por sua causa, tão querendo que eu leve somente este banana, isso eu não aceito!
- E quem disse que ele iria mesmo disparar contra os outros?
- Olha aqui, página 9472 da vida do fulano! – Apontou um calhamaço de papel.
- Peraí, como você teve acesso ao Roteiro da Vida ?
- Er... Ah, isso? Nada não.
- Sabia que é uma falta gravíssima ter acesso a “dados ainda não acontecidos”?
- Qualé... Suas regras não valem para mim. Mas alto, lá, me respondam uma coisa: se vocês sabem que exitem um “Roteiro da Vida”, com “dados ainda não acontecidos”, como ainda estufam o peito para dizer que estes coitados possuem “livre arbítrio”? Como vão escolher se já tá tudo escrito?
- Bom, é quer dizer... – um telefone toca- Só um momento... Sim Senhor, ok... vamos resolver tudo. Certo, será tudo feito para sanar isso. Hã? Tá sim... Aqui do lado. Toma... Não queria explicações?
- Não... Deixa pra lá... Nem tava me ligando tanto assim... Podexá que levo esse pôrquera mesmo... Diz que eu já fui...
- Ele não quer lhe atender... Tá... Já esperava por isso,sei... Ok, resolvo tudo por aqui... É, limpeza parece que virou minha área mesmo,hehehe. Já sei o que fazer...
LIVRE ARBÍTRIO
Um despertar de amor. Havia vários jeitos de se acordar, mas o despertar amoroso realmente deixava tudo lindo. Sempre descambava em coisas boas. Em dias destes, já tinha arranjado ótimos empregos, começado bons namoros, encontrado ótimas amantes, mudado para melhor seu futuro... Ele sorriu para o céu e saiu confiante pela rua. Era muito bom sentir que tinha total controle de sua vida...
(Postado no Blog Manufatura em 18/07/07)
Pensamentos que ecoam em um cérebro rápido e celerado, dando voltas cada vez mais aceleradas sem pit-stops, levam passos pausados para lojas de armas. Dedos longos indicam, os olhos observam e a boca matraqueia qualidades do objeto procurado. Repetição, eficácia, penetração, alcance e calibre são estudados. Por sugestão do vendedor, que fez vista grossa pela falta do porte de arma, ao ver as notas dispostas em série, a escolha do mais caro: se já tivesse munição, começaria por ali. Um teste, por assim dizer. Se municia falando em caçada, indiferente à indiferença pela mentira, abre a mochila e se vai. O vendedor vai até a porta da loja e dá um sorriso satisfeito.
Uma praça de alimentação de shopping-center, dois ovos maltine e cinco casquinhas depois, observava com frieza o ambiente climatizado. A mão isolada dentro da capanga, esperando trêmula pelo instante, uma faísca que falta surgir. Uma vontade de acabar com tudo que restava ser saciada. Um momento de revide no presente, um retraçar de metas estipuladas em vidas que passeiam paralelamente alheias. O gosto do poder de comandar destinos, na verdade, de destruir sonhos, enterrar esperanças e silenciar vozes. O levantar estático, disposição suicida de não voltar atrás, espera começar pelos que sorriem mais, estes que debocham das dores e dos amores, ao som do mar e à luz do céu profundo, fulguram... Figuram colunas sociais e escândalos nacionais, sob o manto mesquinho e avarento da impunidade; por que todos não somos perdoados? Por que a condescendência atinge somente alguns? Por que a vida nega favores justamente para aqueles que mais deles necessitam? Doze balas iriam dar as respostas que procurava? Talvez não, mas havia trago vários pentes sobressalentes; continuaria seus questionamentos até achar uma resposta razoável. Ou uma morte rápida...
Deu um passo adiante, já tirava a arma de dentro da mochila quando esbarrou em uma senhora franzina que trabalhava na limpeza. Levava uma bandeja repleta de copos de papel e restos de sanduíche que espatifaram-se no chão, causando uma bagunça e um barulho não observados pelos comensais que continuavam a rir, beber, conversar, comer, mentir e opinar sem darem a mínima atenção ao que acabara de acontecer. Ele abaixou timidamente, desculpando-se pelo acidente. A velha, ajoelhada no piso, deu um sorriso amargo e sincero, confirmado pelo olhar cansado e castanho de muitos anos de luta:
- Tudo bem,meu filho! - Aquelas palavras causaram tanto impacto em sua mente febril, que ele teve que dominar-se para que uma onda de emoção, vinda não se sabe de onde, o dominasse. Acocorou-se ao lado da velha, pensava no que faria, afinal aquela senhora de joelhos em sua frente, não obstante todos os problemas, as dificuldades, humilhações, desrespeitos, continuava a manter viva a chama indomada da esperança em dias melhores; de lutar a cada dia uma batalha que ele já julgava perdida e por isso decidira ir ali, com aquele intento assassino na cabeça...Sentiu que uma onda de emoção percorria seu corpo, coisa que até então não havia lhe ocorrido. Parados naquele instante, pode ver que ela olhava com tristeza para a arma que segurava.
- Isso resolve algo? – apontou para os indiferentes que os cercavam e arrematou – Há algum dentre eles que é menor do que nós, para que possamos tomar as mesmas atitudes que sempre tomam? Em quê melhoramos e onde chegaremos?
Final
Fechando a mochila com um gesto rápido, precipitou-se para a saída. Ao passar por uma lata de lixo jogou o invólucro recheado de morte e pegou o rumo de casa. Por-se-ia a escrever, esta noite. Sua loucura sempre apaziguava quando escrevia.
O sol caia lento no horizonte quando dois personagens se encontraram no estacionamento do centro de compras:
- Você trapaceou... – acusava o rapaz... – Interferiu nas escolhas quando apareceu como uma pobre coitada que levava o mundo nas costas.
- Pensa que não sabemos que você ajudou na aquisição da arma?
- Errr... Hehehe. Continuam de olho em tudo, hein? Ora, convenhamos, no meu caso, trapacear não é novidade.
- Entendemos isso. Por isso a Direção optou pela segunda chance para o garoto repensar o que estava fazendo...
- E o tal do livre arbítrio? Vocês são muito historinha mesmo... Se têm uma coisa que não suporto é quando burlam as próprias regras... Elas se aplicam a mim? Lógico que não, pois se aplicasse não estaria lá embaixo, na segunda divisão! – Saiu andando e esbravejando, sumindo em uma nuvem de enxofre.
Final 2
Jogando a mochila nas costas, com um gesto rápido, levantou-se e apontou a arma para a primeira mesa, no rosto um olhar de ódio, olhava as vítimas, que ainda não haviam se dado conto do que ocorreria... Premia já o gatilho com um gosto de sangue na boca, quando um vulto branco, que podia jurar ser uma imensa asa de pombo, atingiu-o de lado, lançando seu corpo no vácuo... Despencou da praça de alimentação, no terceiro piso, vindo a se estabacar sobre a feirinha de produtos esotéricos; morreu em cima dos cristais que prometiam cura...
O sol caia lento no horizonte quando dois personagens se encontraram no estacionamento do centro de compras:
- Mas, mas que merda foi aquela? – acusava o rapaz, colérico.
- Um espirro... Pedimos sinceras desculpas...
- Isso não vale! Ela interferiu no prosseguimento das coisas! Eu quero uma contraprova! Marmelada!
- Ora, ora... Se não era você quem ajudou na aquisição da arma...
- Isso é, hum... Um detalhe. Suas regras não se assentam muito para mim. Mas eles... Eles ainda têm o livre arbítrio. E vocês não respeitaram isso!
- Quem disse não respeitamos? O que aconteceu foi um lapso e nossa representante já foi inclusive chamada pela Direção, para prestar esclarecimentos sobre o acontecido. Provavelmente estará sob suspensão até novas ordens...
- Sei, sei...
- Regra nº 764736473/E, interferência no andamento natural do Destino...
- Vem cá, você acha que ela vai ser punida?
- Olha, pra te dizer a verdade... Vamos ter que fazer uma CPI...
Final 3
Deixando a mochila cair ao lado, olhou em redor as pessoas que riam e viviam.. Sentiu o peso duro e frio da própria existência, sentiu que a culpa não era do mundo, da vida ou das pessoas... A culpa sempre fora sua, de sua incompetência de gerir a própria existência, sua covardia em assumir riscos e seu medo de viver... A culpa não era daquelas pessoas que alegres viviam; um ser repugnante como ele não merecia continuar respirando o mesmo ar das outras pessoas...
Em um gesto rápido colocou o cano da arma na boca e premiu o gatilho. A explosão do cartucho aconteceu imediatamente... As bochechas ainda se estufavam pela expansão do ar, sendo empurrado pela bala que ainda atravessava o cano, quando ressoou alto, congelando o tempo e os movimentos:
- Pode parar por aí...
- O que você está querendo fazer? Mexer no contínuo tempo da vida? É total e completamente fora das regras! – a faxineira, junto ao recém chegado, eram os únicos que se moviam no espaço estático.
- Que regra o quê... Peguei vocês manipulando tudo, aqui e agora, sem desculpa nenhuma!
- Tá, quer dizer que você não entregou a arma nas mãos dele...
- Isso não vêm ao caso. O que importa é que isso ia acontecer mesmo...Ele ia sacar a arma e distribuir bala pra tudo quanto é lado... O bonde hoje ia descer cheio. E agora, por sua causa, tão querendo que eu leve somente este banana, isso eu não aceito!
- E quem disse que ele iria mesmo disparar contra os outros?
- Olha aqui, página 9472 da vida do fulano! – Apontou um calhamaço de papel.
- Peraí, como você teve acesso ao Roteiro da Vida ?
- Er... Ah, isso? Nada não.
- Sabia que é uma falta gravíssima ter acesso a “dados ainda não acontecidos”?
- Qualé... Suas regras não valem para mim. Mas alto, lá, me respondam uma coisa: se vocês sabem que exitem um “Roteiro da Vida”, com “dados ainda não acontecidos”, como ainda estufam o peito para dizer que estes coitados possuem “livre arbítrio”? Como vão escolher se já tá tudo escrito?
- Bom, é quer dizer... – um telefone toca- Só um momento... Sim Senhor, ok... vamos resolver tudo. Certo, será tudo feito para sanar isso. Hã? Tá sim... Aqui do lado. Toma... Não queria explicações?
- Não... Deixa pra lá... Nem tava me ligando tanto assim... Podexá que levo esse pôrquera mesmo... Diz que eu já fui...
- Ele não quer lhe atender... Tá... Já esperava por isso,sei... Ok, resolvo tudo por aqui... É, limpeza parece que virou minha área mesmo,hehehe. Já sei o que fazer...
LIVRE ARBÍTRIO
Um despertar de amor. Havia vários jeitos de se acordar, mas o despertar amoroso realmente deixava tudo lindo. Sempre descambava em coisas boas. Em dias destes, já tinha arranjado ótimos empregos, começado bons namoros, encontrado ótimas amantes, mudado para melhor seu futuro... Ele sorriu para o céu e saiu confiante pela rua. Era muito bom sentir que tinha total controle de sua vida...
(Postado no Blog Manufatura em 18/07/07)
18 junho 2007
Sonhos em Alemão
Sem dúvida, sou apenas um andarilho,
um peregrino na Terra!
E vocês, são mais que isso?
J.W.Goethe
Descia a Paranaíba (ou seria a Araguaia?), quando notei que estava de óculos novos. Pelas lentes e formato da armação, vi logo que era um modelo caçador, Ray-ban origem. Legal, mas mesmo assim eu o tirei do rosto para me certificar, lendo por cima da barrinha de metal que fica no meio dos aros. Estava lá com todas as letras; um legítimo produto Bauch & Lomb, só que isto não me trazia a resposta de como aquele raio de treco estava comigo. Bom, pela curvatura do sol indicava que ainda estava bem de manhã, algo por volta das 09:00 h, o que me trazia apenas uma teoria: havia passado a noite na farra. Isto explicava em parte estar de posse de uns óculos que não sabia de onde vinha. Provavelmente estava com alguém que bebeu comigo, lógico. Mas isso não explicava onde diabos estava o meu carro. Será que eu havia sido louco o suficiente para trocá-lo pelos óculos? Merda, se for, vai ser muito difícil desfazer a troca, ainda mais se eu nem sei quem é o filha da mãe que me passou a perna. Talvez essa pessoa sinta o mesmo pelos óculos. Meu carro não é lá assim uma Ferrari e dirigi-lo é algo quase sobre-humano para quem não o conhece. Mesmo eu sou vencido algumas vezes por sua inegável vontade não de funcionar. Chevettão 84, cadê você??? Acho que quem está com ele deve estar fazendo a mesma pergunta desesperada pelos óculos originais. Dejavú. Sinto que já passei por esta situação antes.
Foi a mais ou menos uns cinco anos. Ou seriam sete? Tanto faz. Era um Sábado de manhã e estava chegando em casa. Entrei pela garagem e tentei achar a chave da porta, mas necas da maldita. No seu lugar havia somente o chaveiro da velha Belina do meu pai. Ela era cortada e todos achavam que era uma Pampa. Eu achava que era o máximo não ter que abastecer. Tentei me lembrar um pouco. Havia ido ao bar do Treta encontrar a galera para o mesmo roteiro de Sexta-feira. Cerveja, cerveja e mais cerveja. Ás vezes uma batata frita. Tomei todas, falei um monte de asneiras para umas garotas esquálidas que se achavam modelos, beijei a mais feia e fui deixá-la em casa, uma rua abaixo. Na portaria do prédio nos desentendemos por alguma coisa que não valia muito a pena e depois eu fui embora de táxi. Era isso! Havia esquecido a chave de casa no console da Belina! E havia esquecido a falsa Pampa na porta do bar! Agora era só pegar dois ônibus e voltar para buscar as chaves e de tabela, trazer o carro do velho antes que ele percebesse a cagada que eu fizera.
A lembrança deste episódio me fez achar mais uma peça do quebra cabeça... Onde será que esqueci o Corvett’s? Olhei em volta e o mundo se materializou em poucos segundos. Estava parado agora na frente de um posto de gasolina e só então me dei conta que segurava um pequeno galão na mão esquerda. Na direita havia um cigarro. Era um Benson & Hedges, o que provava que havia serrado de alguém. Cigarro mentolado sempre me dava ânsia de vômito de manhã. Dei um último trago (fissura, fazer o quê?) e o joguei fora, afinal tinha que entrar no posto e nunca entro num posto de gasolina fumando. Mania besta. Ou um pequeno resquício de auto-preservação. Pedi ao frentista para colocar cincão (era o jeito de fazer cinco reais parecerem dinheiro, diz no aumentativo e ele parece aumentar de valor) e depois voltei ao lugar que estava na entrada, pensando se descia ou subia a, agora reconhecida, Av. Araguaia. Como ela tem somente um sentido acima da Paranaíba, fiquei olhando os carros descendo em baixa velocidade, tentando me lembrar se havia feito este trajeto.
Só então me dei conta que uma meia quadra acima, havia um acúmulo de pessoas em semicírculo. Observavam um acidente, obviamente. Merda. Será que havia batido o carro e ainda saí para comprar gasolina? Me aproximei timidamente, tentando reconhecer os veículos e não deixar que ninguém me reconhecesse. Logo vi que isto era uma idiotice, uma vez que não sabia quem eram as pessoas no local, daí como iria me esconder de quem eu não sabia quem era. Entenderam? Nem eu.
Um Renault Clio havia enchido a lateral de uma Strada. A velha do Clio estava errada logo vi. Coisas de quem já trabalhou com seguros, departamento de sinistro. Bem sinistro. Notei que o estrago não era grande, e que o Chevette estava estacionado atrás do acidente. Mas por que algumas pessoas olhavam tanto para dentro do meu ferro velho? Ao chegar na frente do pára-brisa, descobri. Havia uma loira ma-ra-vi-lho-sa deitada no banco do passageiro. Ponto. Descobri de uma só tacada de onde havia vindo o Ray-ban original e o cigarro. Agora só faltava saber o que aquela diliça estava fazendo dentro da minha caranga (e se eu realmente havia trocado os óculos pelo carro).
Coloquei o combustível no tanque, pedi um cigarro a um dos curiosos e depois entrei no carro para tentar dar partida no motor. O curioso arregalou os olhos ao me ver sentar ao lado da princesa adormecida. Senti o calor da inveja me atravessar o peito. Um pouquinho de sol também. Tirei a jaqueta e a joguei no banco detrás junto com meia mala de roupas que sempre estava por ali. Bombei o acelerador olhando para a loira e rezando para que o motor funcionasse. Ele expirou, tossiu e morreu. Tentei de novo e ele soltou um estouro. Parecia que estava acordando de mau humor. Nisso a bela desacordada se remexeu no assento (ufa, ela estava viva!) e disse algo ininteligível. Tentei entender o que era, mas parecia que ela falava outra língua. Repetiu agora um pouco mais alto e tive certeza que era outra língua. Mas, raios, que merda de idioma era aquele? Já havia ouvido algo parecido em algum filme, mas não sabia dizer qual era o título, nacionalidade então, lhufas.
O braço dela deu uma leve guinada derrubando a bolsa no assoalho, deixando cair uma porrada de coisas que estavam dentro. Havia o que eu audaciosamente julguei ser o básico em uma bolsa de mulher: batom, espelho mil e uma utilidades, uma caneta, carteira, algumas argolas, brincos, um celular descarregado, um tampax salva-vidas e um passaporte. Peraí. Passaporte ? Tava explicado o/a Haustfaguen que ela falou. Ela era gringa. Só restava saber de onde. Nem precisei abrir o dito cujo para saber. Na capa, embaixo de um engarranchado total vi uma palavrinha que respondeu tudo. Deutschland (lê-se Doitiland). Alemanha. Era uma conterrânea de Goethe, Bukowski, Hegel, Beethoven, Maquiavel e do Bruce Willis. Não, Maquiavel era italiano. Bruce Willis, o ator, nasceu na Alemanha, sim senhor. Bruce Lee, o lutador, nasceu em São Francisco. Estranho, não? É igual Fabérge, que era russo e todos pensavam que era francês por causa do nome.
Tudo bem. Nacionalidades a parte, isso não explicava a pergunta mais importante: quem era aquela gata e o que ela fazia no meu modesto, humilde e desligado carro. Outra vez puxei pelos cacos da memória para tentar explicar o até agora inexplicável. Veio devagar no começo, mas depois brotou tudo na mente. Ela é alemã. Gênio. Isso eu já descobri. Fazia intercâmbio cultural. Sensacional. Quase todas as estrangeiras que havia conhecido também eram. Eu a conheci ontem, em uma festa da faculdade, lá na casa do professor Pedro. Ela também havia estudado um pouco de filosofia na terra dela (quer filosofar? Vai pra Alemanha) e como eu, também havia bebido todas. Essa foi a parte em que nos encontramos. Trechos de alemão pra cá, migalhas de inglês de segundo grau para lá, um quê de português com sotaque e voilá! A gata tava no papo. Decidimos esticar a noite, ou seria a madrugada? Sei lá. Só sei que no meio da Araguaia, agora faz sentido, o maldito carro morreu de inanição. Ou sede se preferir. Após um cinco minutos de amasso, ambos embriagados, alguns vômitos pela janela, intercalados de beijos, sobre o freio de mão, desmaiamos romanticamente sujos e quase abraçados. A tal batida, de manhã, me acordou. Pequei o galão no porta malas, os óculos e um cigarro dela e fui em busca de um posto, inapelavelmente bêbado e sem saber aonde estava, até que me dei conta e começar esta pequena investigação. Agora era só fazer o maldito Corvett’s pegar e voar para casa. Ainda dá para dormir o dia todo grudado na loira (qual é mesmo o nome dela?) e depois... Pensando nisso, olhei novamente para aquele quadro de Rembrandt, que era ela dormindo, mas alguma coisa ainda me martelava a cabeça e me deixava encucado. Mas o que seria? O carro, eu já estava dentro dele. A gasolina, no tanque. O motor não pegava, óbvio. A gata era gringa. A língua, o alemão. O que havíamos feito, quase nada. Ainda. Como a conheci, na festa da faculdade.
Ops... Festa da faculdade? Mas, eu tranquei a faculdade no semestre passado...
Olho para o teto. Teve infiltração durante as chuvas do final do ano passado e agora descasca em vários pontos. Levanto a cabeça e dou uma busca no quarto. Estou deitado sozinho, novamente. Foi um sonho. Caraca. Como ela era gata! Putz, se soubesse que era um sonho e que não teria muito tempo, teria feito o sexo mais louco do mundo, dentro do Chevette, no meio da Araguaia e em frente de uma multidão de curiosos. Goethe morreria de inveja, se já não estivesse morto.
um peregrino na Terra!
E vocês, são mais que isso?
J.W.Goethe
Descia a Paranaíba (ou seria a Araguaia?), quando notei que estava de óculos novos. Pelas lentes e formato da armação, vi logo que era um modelo caçador, Ray-ban origem. Legal, mas mesmo assim eu o tirei do rosto para me certificar, lendo por cima da barrinha de metal que fica no meio dos aros. Estava lá com todas as letras; um legítimo produto Bauch & Lomb, só que isto não me trazia a resposta de como aquele raio de treco estava comigo. Bom, pela curvatura do sol indicava que ainda estava bem de manhã, algo por volta das 09:00 h, o que me trazia apenas uma teoria: havia passado a noite na farra. Isto explicava em parte estar de posse de uns óculos que não sabia de onde vinha. Provavelmente estava com alguém que bebeu comigo, lógico. Mas isso não explicava onde diabos estava o meu carro. Será que eu havia sido louco o suficiente para trocá-lo pelos óculos? Merda, se for, vai ser muito difícil desfazer a troca, ainda mais se eu nem sei quem é o filha da mãe que me passou a perna. Talvez essa pessoa sinta o mesmo pelos óculos. Meu carro não é lá assim uma Ferrari e dirigi-lo é algo quase sobre-humano para quem não o conhece. Mesmo eu sou vencido algumas vezes por sua inegável vontade não de funcionar. Chevettão 84, cadê você??? Acho que quem está com ele deve estar fazendo a mesma pergunta desesperada pelos óculos originais. Dejavú. Sinto que já passei por esta situação antes.
Foi a mais ou menos uns cinco anos. Ou seriam sete? Tanto faz. Era um Sábado de manhã e estava chegando em casa. Entrei pela garagem e tentei achar a chave da porta, mas necas da maldita. No seu lugar havia somente o chaveiro da velha Belina do meu pai. Ela era cortada e todos achavam que era uma Pampa. Eu achava que era o máximo não ter que abastecer. Tentei me lembrar um pouco. Havia ido ao bar do Treta encontrar a galera para o mesmo roteiro de Sexta-feira. Cerveja, cerveja e mais cerveja. Ás vezes uma batata frita. Tomei todas, falei um monte de asneiras para umas garotas esquálidas que se achavam modelos, beijei a mais feia e fui deixá-la em casa, uma rua abaixo. Na portaria do prédio nos desentendemos por alguma coisa que não valia muito a pena e depois eu fui embora de táxi. Era isso! Havia esquecido a chave de casa no console da Belina! E havia esquecido a falsa Pampa na porta do bar! Agora era só pegar dois ônibus e voltar para buscar as chaves e de tabela, trazer o carro do velho antes que ele percebesse a cagada que eu fizera.
A lembrança deste episódio me fez achar mais uma peça do quebra cabeça... Onde será que esqueci o Corvett’s? Olhei em volta e o mundo se materializou em poucos segundos. Estava parado agora na frente de um posto de gasolina e só então me dei conta que segurava um pequeno galão na mão esquerda. Na direita havia um cigarro. Era um Benson & Hedges, o que provava que havia serrado de alguém. Cigarro mentolado sempre me dava ânsia de vômito de manhã. Dei um último trago (fissura, fazer o quê?) e o joguei fora, afinal tinha que entrar no posto e nunca entro num posto de gasolina fumando. Mania besta. Ou um pequeno resquício de auto-preservação. Pedi ao frentista para colocar cincão (era o jeito de fazer cinco reais parecerem dinheiro, diz no aumentativo e ele parece aumentar de valor) e depois voltei ao lugar que estava na entrada, pensando se descia ou subia a, agora reconhecida, Av. Araguaia. Como ela tem somente um sentido acima da Paranaíba, fiquei olhando os carros descendo em baixa velocidade, tentando me lembrar se havia feito este trajeto.
Só então me dei conta que uma meia quadra acima, havia um acúmulo de pessoas em semicírculo. Observavam um acidente, obviamente. Merda. Será que havia batido o carro e ainda saí para comprar gasolina? Me aproximei timidamente, tentando reconhecer os veículos e não deixar que ninguém me reconhecesse. Logo vi que isto era uma idiotice, uma vez que não sabia quem eram as pessoas no local, daí como iria me esconder de quem eu não sabia quem era. Entenderam? Nem eu.
Um Renault Clio havia enchido a lateral de uma Strada. A velha do Clio estava errada logo vi. Coisas de quem já trabalhou com seguros, departamento de sinistro. Bem sinistro. Notei que o estrago não era grande, e que o Chevette estava estacionado atrás do acidente. Mas por que algumas pessoas olhavam tanto para dentro do meu ferro velho? Ao chegar na frente do pára-brisa, descobri. Havia uma loira ma-ra-vi-lho-sa deitada no banco do passageiro. Ponto. Descobri de uma só tacada de onde havia vindo o Ray-ban original e o cigarro. Agora só faltava saber o que aquela diliça estava fazendo dentro da minha caranga (e se eu realmente havia trocado os óculos pelo carro).
Coloquei o combustível no tanque, pedi um cigarro a um dos curiosos e depois entrei no carro para tentar dar partida no motor. O curioso arregalou os olhos ao me ver sentar ao lado da princesa adormecida. Senti o calor da inveja me atravessar o peito. Um pouquinho de sol também. Tirei a jaqueta e a joguei no banco detrás junto com meia mala de roupas que sempre estava por ali. Bombei o acelerador olhando para a loira e rezando para que o motor funcionasse. Ele expirou, tossiu e morreu. Tentei de novo e ele soltou um estouro. Parecia que estava acordando de mau humor. Nisso a bela desacordada se remexeu no assento (ufa, ela estava viva!) e disse algo ininteligível. Tentei entender o que era, mas parecia que ela falava outra língua. Repetiu agora um pouco mais alto e tive certeza que era outra língua. Mas, raios, que merda de idioma era aquele? Já havia ouvido algo parecido em algum filme, mas não sabia dizer qual era o título, nacionalidade então, lhufas.
O braço dela deu uma leve guinada derrubando a bolsa no assoalho, deixando cair uma porrada de coisas que estavam dentro. Havia o que eu audaciosamente julguei ser o básico em uma bolsa de mulher: batom, espelho mil e uma utilidades, uma caneta, carteira, algumas argolas, brincos, um celular descarregado, um tampax salva-vidas e um passaporte. Peraí. Passaporte ? Tava explicado o/a Haustfaguen que ela falou. Ela era gringa. Só restava saber de onde. Nem precisei abrir o dito cujo para saber. Na capa, embaixo de um engarranchado total vi uma palavrinha que respondeu tudo. Deutschland (lê-se Doitiland). Alemanha. Era uma conterrânea de Goethe, Bukowski, Hegel, Beethoven, Maquiavel e do Bruce Willis. Não, Maquiavel era italiano. Bruce Willis, o ator, nasceu na Alemanha, sim senhor. Bruce Lee, o lutador, nasceu em São Francisco. Estranho, não? É igual Fabérge, que era russo e todos pensavam que era francês por causa do nome.
Tudo bem. Nacionalidades a parte, isso não explicava a pergunta mais importante: quem era aquela gata e o que ela fazia no meu modesto, humilde e desligado carro. Outra vez puxei pelos cacos da memória para tentar explicar o até agora inexplicável. Veio devagar no começo, mas depois brotou tudo na mente. Ela é alemã. Gênio. Isso eu já descobri. Fazia intercâmbio cultural. Sensacional. Quase todas as estrangeiras que havia conhecido também eram. Eu a conheci ontem, em uma festa da faculdade, lá na casa do professor Pedro. Ela também havia estudado um pouco de filosofia na terra dela (quer filosofar? Vai pra Alemanha) e como eu, também havia bebido todas. Essa foi a parte em que nos encontramos. Trechos de alemão pra cá, migalhas de inglês de segundo grau para lá, um quê de português com sotaque e voilá! A gata tava no papo. Decidimos esticar a noite, ou seria a madrugada? Sei lá. Só sei que no meio da Araguaia, agora faz sentido, o maldito carro morreu de inanição. Ou sede se preferir. Após um cinco minutos de amasso, ambos embriagados, alguns vômitos pela janela, intercalados de beijos, sobre o freio de mão, desmaiamos romanticamente sujos e quase abraçados. A tal batida, de manhã, me acordou. Pequei o galão no porta malas, os óculos e um cigarro dela e fui em busca de um posto, inapelavelmente bêbado e sem saber aonde estava, até que me dei conta e começar esta pequena investigação. Agora era só fazer o maldito Corvett’s pegar e voar para casa. Ainda dá para dormir o dia todo grudado na loira (qual é mesmo o nome dela?) e depois... Pensando nisso, olhei novamente para aquele quadro de Rembrandt, que era ela dormindo, mas alguma coisa ainda me martelava a cabeça e me deixava encucado. Mas o que seria? O carro, eu já estava dentro dele. A gasolina, no tanque. O motor não pegava, óbvio. A gata era gringa. A língua, o alemão. O que havíamos feito, quase nada. Ainda. Como a conheci, na festa da faculdade.
Ops... Festa da faculdade? Mas, eu tranquei a faculdade no semestre passado...
Olho para o teto. Teve infiltração durante as chuvas do final do ano passado e agora descasca em vários pontos. Levanto a cabeça e dou uma busca no quarto. Estou deitado sozinho, novamente. Foi um sonho. Caraca. Como ela era gata! Putz, se soubesse que era um sonho e que não teria muito tempo, teria feito o sexo mais louco do mundo, dentro do Chevette, no meio da Araguaia e em frente de uma multidão de curiosos. Goethe morreria de inveja, se já não estivesse morto.
26 fevereiro 2007
Réquiem para um amigo (2)
Algumas horas depois, enquanto a carruagem sacolejava freneticamente em meio de uma chuva fina, dois emudecidos e embriagados oficiais (Rodolphe ficara na mansão, pois se recuperava de um ferimento antigo) encontravam-se a caminho do porto, onde haveriam de embarcar a Brigada reunida às pressas devido a deflagração de uma guerra já há muito esperada.
- Que achas – disse Junot, quebrando o longo silêncio – das futuras bodas da pequena Madeleine... Quem diria, ontem brincava com bonecas, hoje noiva!
Charles que encontrava-se às voltas com a abertura de uma das três garrafas de vinho que havia trago do banquete, resmungando a muito algo ininteligível, olhou somente de soslaio para o amigo, com aquele mesmo olhar que desferira após o brinde - Um janota... um almofadinha da cidade, um moleque... sua voz aumentava de intensidade pouco a pouco – Ademais ela ainda é uma criança, como podem deixá-la pensar em casar-se ? Loucos ! Isto é o que são ! – sua voz demonstrava uma tal emoção que o capitão nunca havia presenciado.
- Não meu amigo. Vejo somente que acabas de descobrir que as emoções também lhe têm em conta...
- O que está dizendo, homem ?
- Que, pelo visto, não se preocupa exatamente com o casamento pelo fato da idade da noiva, mas sim pela identidade do noivo.
- O que está insinuando, Louis ?
- Desculpe lhe abrir os olhos, mas acho que descobrimos agora que sempre estivera apaixonado e somente se deste conta disto hoje.
- Apaixonado, eu ? Pela irmãzinha ? Que idéia... – em seu rosto havia algo de escárnio, como se o outro houvesse contado uma anedota e ele se retorcesse em uma careta meio cômica, mas com algo de perturbador, e no seu íntimo, suas dúvidas foram desaparecendo como a névoa matutina ao raiar do sol. Estaria amando ? Sempre estivera em relações corriqueiras, passageiras como as estações, mas realmente nunca havia amado. Mas o que é o amor, afinal ? Será que talvez por não saber seu real significado não se dera conta ainda ? Teria sido tão idiota assim, se perdendo em rodeios e cavalheirismos inócuos, que não fizera a corte justamente àquela que agora era a senhora soberana de sua vontade?!
Estando perdido nestes pensamentos, ficara parado como uma estátua, garrafa semi-aberta na mão olhando para o nada. Coube a Junot tomá-la de suas mãos e terminar de abri-la:
- Um brinde à sua descoberta, mom ami, embora tardia... Mas não preocupe com o destino de M.lle. Madeleine. Como estamos indo para a guerra, talvez morramos antes da próxima semana... Sem haver ao menos preparado um terno decente para o casamento! - e explodiu em gargalhadas.
- Que achas – disse Junot, quebrando o longo silêncio – das futuras bodas da pequena Madeleine... Quem diria, ontem brincava com bonecas, hoje noiva!
Charles que encontrava-se às voltas com a abertura de uma das três garrafas de vinho que havia trago do banquete, resmungando a muito algo ininteligível, olhou somente de soslaio para o amigo, com aquele mesmo olhar que desferira após o brinde - Um janota... um almofadinha da cidade, um moleque... sua voz aumentava de intensidade pouco a pouco – Ademais ela ainda é uma criança, como podem deixá-la pensar em casar-se ? Loucos ! Isto é o que são ! – sua voz demonstrava uma tal emoção que o capitão nunca havia presenciado.
- Não meu amigo. Vejo somente que acabas de descobrir que as emoções também lhe têm em conta...
- O que está dizendo, homem ?
- Que, pelo visto, não se preocupa exatamente com o casamento pelo fato da idade da noiva, mas sim pela identidade do noivo.
- O que está insinuando, Louis ?
- Desculpe lhe abrir os olhos, mas acho que descobrimos agora que sempre estivera apaixonado e somente se deste conta disto hoje.
- Apaixonado, eu ? Pela irmãzinha ? Que idéia... – em seu rosto havia algo de escárnio, como se o outro houvesse contado uma anedota e ele se retorcesse em uma careta meio cômica, mas com algo de perturbador, e no seu íntimo, suas dúvidas foram desaparecendo como a névoa matutina ao raiar do sol. Estaria amando ? Sempre estivera em relações corriqueiras, passageiras como as estações, mas realmente nunca havia amado. Mas o que é o amor, afinal ? Será que talvez por não saber seu real significado não se dera conta ainda ? Teria sido tão idiota assim, se perdendo em rodeios e cavalheirismos inócuos, que não fizera a corte justamente àquela que agora era a senhora soberana de sua vontade?!
Estando perdido nestes pensamentos, ficara parado como uma estátua, garrafa semi-aberta na mão olhando para o nada. Coube a Junot tomá-la de suas mãos e terminar de abri-la:
- Um brinde à sua descoberta, mom ami, embora tardia... Mas não preocupe com o destino de M.lle. Madeleine. Como estamos indo para a guerra, talvez morramos antes da próxima semana... Sem haver ao menos preparado um terno decente para o casamento! - e explodiu em gargalhadas.
06 fevereiro 2007
Réquiem para um amigo
Primeira parte de um conto que a muito mora em um de minhas gavetas...
Desde os tempos do grande exército do Imperador, seus soldados granjearam a fama de grandes combatentes. Mesmo quando o general Oudinot foi derrotado por Garibaldi em Civitavecchia, estes militares ficaram conhecidos como os melhores do mundo. O comando, sob os auspícios do Imperador-general, era impecável. Entretanto, esta estória é uma das pequenas sobre as peças que moviam esta fabulosa máquina, os valores e as fraquezas deste exército, demonstradas não por grandes batalhas, ou atos heróicos, mas entre o relacionamento de três amigos chegados, que serviram durante este tempo.
Havia entre os corpos da Brigada, três oficiais que se conheciam deste o início de seus estudos militares: os capitães Saint-Viére e Junot, além do major De Vére. Eram grandes soldados, além de companheiros (sempre que as movimentações da tropa permitiam), inseparáveis. O encontrar desses camadas era, mesmo em tempo de guerra, o que mais os animava, nestes momentos entre eles a hierarquia desaparecia e punham-se a fazer piadas uns dos outros.
Rodolphe des Saint-Viére, era de uma conhecida família burguesa, muito próxima da realeza, que havia traçada seu caminho até ali de maneira mais satisfatória possível; somente era soldado pelas conveniências da época, como também movido pelo sentimento de aventura que abundava em sua alma; Louis Antoine Junot, apesar de dispor de uma alma de artista, sendo um misto de músico, desenhista e escultor, havendo inclusive emoldurado alguns anjos para o palácio, em um certo ano, era dado a arroubos de violência quando embriagado, o que fazia dele um barril de pólvora prestes a explodir a qualquer momento; mantinha-se deste modo entre a rigidez do exército e o amor nato às artes plásticas; já Charles de Neuff, sobrinho do Marqué de Vére (de quem herdou o título e nome ), fora criado praticamente dentro da caserna, visto que sua família deixara os bens ao encargo de seu irmão mais velho, que o enviou para a academia. Era, dos três, o melhor atirador, como também um péssimo escritor.
Como amigos tão chegados sempre se visitam uns aos outros, de Vére, sempre entediado com os outros brigadianos, assim que podia partia para propriedade Saint-Viére, onde além de encontrar seu companheiro de armas, também desafiava o velho Dr. Roland, pai de Rodolphe, para algumas partidas de xadrez, acompanhadas de discussões ora filosóficas, ora políticas. Gostava também de provocar a jovem Madeleine, a respeito de suas leituras sobre os romances de cavalaria dizendo que se algum daqueles campeões de papel, lhe desafiassem com suas espadas vingadoras, seriam prontamente abatidos com um só tiro. Nesta tarde em especial, após os triviais jogos e conversas animadas, foram todos convidados para aguardarem o jantar onde haveria uma grande surpresa. O major ainda tentou se esquivar premeditando que poderia ser algo que fosse particular sendo somente para os parentes, porém após os rogos dos presentes, em especial de Madeleine, concordou em ficar. No grande salão de jantar da antiga propriedade, um grande retângulo de aproximadamente 25 por 5 metros belamente decorado com tapeçarias retratando as proezas dos antepassados e iluminado por conjuntos de archotes dispostos nos cantos, seguros por estátuas de anjos cujas asas criavam algumas sombras engraçadas no teto, estavam agora todos devidamente acomodados ao redor de uma mesa proporcional em tamanho ao aposento, igualmente decoradas com vários tipos de pratos a serem servidos. De sua colocação, De Vére podia visualizar quase todos os convivas; Dr. Roland na posição de anfitrião, tendo a direita e esquerda seu casal de filhos, o obeso farmacêutico Chantecler, o Coronel Faby, do corpo de expedicionários, Monsieur Jaccard, o tabelião, juntamente com a esposa e o filho Pierre, além de alguns pacientes do velho cirurgião, que ele não conhecia bem. Pouco depois de soar o toque das oito, quando já começavam os ruídos dos pratos, sentiu uma mão pesando em seu ombro. Era Junot que acabara de chegar:
- Às armas, camaradas ! – gritou como se estivesse em batalha, assustando assim algumas das velhas senhoras – Chantecler lidera o ataque ! - o rosto do boticário corou instantaneamente – Por sorte, ainda não estraçalharam o pato, sussurrou para De Vére.
- Tem sorte de ainda haver bebida – este retrucou - olhe como Rodolphe já está alto... um pouco mais de vinho e poderemos chamar-lhe de Capitão Barril !
Assim entre risos e gargalhadas, o jantar seguiu, até que Dr. Saint-Viére levantou-se e tocou por três vezes sua taça com o garfo, solicitando a atenção dos presentes:
- Meus queridos – ele adorava usar esta expressão – tenho aqui perante mim grande parte de meus mais estimados amigos, além de minha família reunida, o que não é todo dia, visto que as necessidades da tropa consomem em muito do tempo de meu filho. Isto somente já valeria o brinde, entretanto há mais a lhes oferecer. Esta noite tenho o orgulho de comunicar que minha pequena rosa, Madeleine, foi pedida em casamento por Pierre Jaccard, o que enche meu coração de alegria.
Houve uma explosão de congratulações de quase todos os presentes. Digo quase todos por que Junot poderia jurar que viu vibrarem algumas faíscas no olhar fuzilante do major de Vére.
Desde os tempos do grande exército do Imperador, seus soldados granjearam a fama de grandes combatentes. Mesmo quando o general Oudinot foi derrotado por Garibaldi em Civitavecchia, estes militares ficaram conhecidos como os melhores do mundo. O comando, sob os auspícios do Imperador-general, era impecável. Entretanto, esta estória é uma das pequenas sobre as peças que moviam esta fabulosa máquina, os valores e as fraquezas deste exército, demonstradas não por grandes batalhas, ou atos heróicos, mas entre o relacionamento de três amigos chegados, que serviram durante este tempo.
Havia entre os corpos da Brigada, três oficiais que se conheciam deste o início de seus estudos militares: os capitães Saint-Viére e Junot, além do major De Vére. Eram grandes soldados, além de companheiros (sempre que as movimentações da tropa permitiam), inseparáveis. O encontrar desses camadas era, mesmo em tempo de guerra, o que mais os animava, nestes momentos entre eles a hierarquia desaparecia e punham-se a fazer piadas uns dos outros.
Rodolphe des Saint-Viére, era de uma conhecida família burguesa, muito próxima da realeza, que havia traçada seu caminho até ali de maneira mais satisfatória possível; somente era soldado pelas conveniências da época, como também movido pelo sentimento de aventura que abundava em sua alma; Louis Antoine Junot, apesar de dispor de uma alma de artista, sendo um misto de músico, desenhista e escultor, havendo inclusive emoldurado alguns anjos para o palácio, em um certo ano, era dado a arroubos de violência quando embriagado, o que fazia dele um barril de pólvora prestes a explodir a qualquer momento; mantinha-se deste modo entre a rigidez do exército e o amor nato às artes plásticas; já Charles de Neuff, sobrinho do Marqué de Vére (de quem herdou o título e nome ), fora criado praticamente dentro da caserna, visto que sua família deixara os bens ao encargo de seu irmão mais velho, que o enviou para a academia. Era, dos três, o melhor atirador, como também um péssimo escritor.
Como amigos tão chegados sempre se visitam uns aos outros, de Vére, sempre entediado com os outros brigadianos, assim que podia partia para propriedade Saint-Viére, onde além de encontrar seu companheiro de armas, também desafiava o velho Dr. Roland, pai de Rodolphe, para algumas partidas de xadrez, acompanhadas de discussões ora filosóficas, ora políticas. Gostava também de provocar a jovem Madeleine, a respeito de suas leituras sobre os romances de cavalaria dizendo que se algum daqueles campeões de papel, lhe desafiassem com suas espadas vingadoras, seriam prontamente abatidos com um só tiro. Nesta tarde em especial, após os triviais jogos e conversas animadas, foram todos convidados para aguardarem o jantar onde haveria uma grande surpresa. O major ainda tentou se esquivar premeditando que poderia ser algo que fosse particular sendo somente para os parentes, porém após os rogos dos presentes, em especial de Madeleine, concordou em ficar. No grande salão de jantar da antiga propriedade, um grande retângulo de aproximadamente 25 por 5 metros belamente decorado com tapeçarias retratando as proezas dos antepassados e iluminado por conjuntos de archotes dispostos nos cantos, seguros por estátuas de anjos cujas asas criavam algumas sombras engraçadas no teto, estavam agora todos devidamente acomodados ao redor de uma mesa proporcional em tamanho ao aposento, igualmente decoradas com vários tipos de pratos a serem servidos. De sua colocação, De Vére podia visualizar quase todos os convivas; Dr. Roland na posição de anfitrião, tendo a direita e esquerda seu casal de filhos, o obeso farmacêutico Chantecler, o Coronel Faby, do corpo de expedicionários, Monsieur Jaccard, o tabelião, juntamente com a esposa e o filho Pierre, além de alguns pacientes do velho cirurgião, que ele não conhecia bem. Pouco depois de soar o toque das oito, quando já começavam os ruídos dos pratos, sentiu uma mão pesando em seu ombro. Era Junot que acabara de chegar:
- Às armas, camaradas ! – gritou como se estivesse em batalha, assustando assim algumas das velhas senhoras – Chantecler lidera o ataque ! - o rosto do boticário corou instantaneamente – Por sorte, ainda não estraçalharam o pato, sussurrou para De Vére.
- Tem sorte de ainda haver bebida – este retrucou - olhe como Rodolphe já está alto... um pouco mais de vinho e poderemos chamar-lhe de Capitão Barril !
Assim entre risos e gargalhadas, o jantar seguiu, até que Dr. Saint-Viére levantou-se e tocou por três vezes sua taça com o garfo, solicitando a atenção dos presentes:
- Meus queridos – ele adorava usar esta expressão – tenho aqui perante mim grande parte de meus mais estimados amigos, além de minha família reunida, o que não é todo dia, visto que as necessidades da tropa consomem em muito do tempo de meu filho. Isto somente já valeria o brinde, entretanto há mais a lhes oferecer. Esta noite tenho o orgulho de comunicar que minha pequena rosa, Madeleine, foi pedida em casamento por Pierre Jaccard, o que enche meu coração de alegria.
Houve uma explosão de congratulações de quase todos os presentes. Digo quase todos por que Junot poderia jurar que viu vibrarem algumas faíscas no olhar fuzilante do major de Vére.
05 junho 2006
Até Quando ??
"Enquanto nós estivermos a beira da loucura de defendermos homens, que se julgam donos da verdade, ou homens que tem nas veias a necessidade de poder, estaremos nos submetendo a degradação do estado.Uma verdadeira democracia se faz defendendo sim, direitos e deveres, mas não só os direitos que enxergamos, ou seja, os nossos, mas sim os da nação, os de nossos irmãos de pátria.Não podemos nos ater a discursos populistas, ou demagógicos, seja lá de quem forem.Temos de deixar de sermos preguiçosos e irmos atrás dos programas de governo, debate-los com outros que sejam mais esclarecidos que nós, e também com os menos esclarecidos.Temos de analisar os tópicos do programa, ver até onde é possível se realizar, ou até onde é propaganda para ascensão.Não é Alkimim, Não é Lula, Não é Luiza Helena, e sim um programa, não promessas vazias como a de criar 8 milhões de empregos.Vamos pensar muito, ler muito, nos informarmos muito, e assim poderemos efetuar uma escolha, que no mínimo será baseada em algo.Chega de votarmos neste ou naquele, por estarmos cheios de um ou de outro, vamos votar pelo pais, se ele melhora, nos melhoramos, se ele é respeitado, nós também seremos pelos filhos de outras nações.Ou seremos macaquitos para o resto de nossas vidas? "
Material enviado a pedidos. Comentário acima de autoria do Luiz (Lula - Jamais te esquecerei)
Pensamento do Dia - 06/06
"A maioria dos Idiotas, acha apenas que são Ignorantes"
Benjamim Franklin, estadista estadunidense
Benjamim Franklin, estadista estadunidense
Quem vai ficar com o Banco do Brasil ???
O verdadeiro poder mundial sabe exatamente o que faz. O Banco do Brasil será um pouco menos do Brasil, na Bolsa de Valores de São Paulo, graças a mais uma polêmica decisão do governo petista, totalmente convertido aos dogmas da neolibertinagem econômica internacional - mesma patologia que acomete os tucanos. O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, decretou, em 31 de maio de 2006, o aumento para até 12,5% da participação societária estrangeira no capital da instituição. Até então, os investidores estrangeiros só podiam participar com 5,6% do BB.Historicamente, a maior interessada na aquisição de ações do Banco do Brasil é a City londrina, comandada pela família dos banqueiros Rothschild. O interesse vem desde os tempos do Barão de Mauá, o lendário Irineu Evangelista de Sousa, fundador do banco, no tempo de D. Pedro II. Mauá foi levado à falência por defender interesses nacionais em ferrovias, em detrimento dos negócios dos Rothschild (seu parceiro nos empreendimentos). Os ingleses comandam a nossa dívida externa desde 1825, na gestão D. Pedro I.Esta tradicional família inglesa controla um dos maiores bancos de investimento do mundo, que garantem ajuda financeira a governos, grandes corporações e ONGs internacionais. Os banqueiros Rothschild que comandam nossa dívida externa desde que Dom Pedro I declarou o Brasil independente de Portugal. São os verdadeiros controladores do mundo. O poder real é exercido de maneira simples e objetiva. Os governos fazem o que os interesses econômicos deles determinam. Os governantes são meros bonecos do ventríloco... (mensagem enviada por nosso colaborador J.Werneck)
26 maio 2006
Pensamento do Dia (26/05)
"De tanto ver crescer a INJUSTIÇA, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos MAUS, o homem chega a RIR-SE da honra, DESANIMAR-SE da justiça e TER VERGONHA de ser honesto!"
Rui Barbosa, Jurista e Lenda Pública Brasileira - 1849-1923
Rui Barbosa, Jurista e Lenda Pública Brasileira - 1849-1923
25 maio 2006
Pensamento do Dia (25/05)
"Sempre que as pessoas concordam comigo, tenho a impressão de estar errado."
Oscar Wilde, escritor irlandês (1854 - 1900)
Oscar Wilde, escritor irlandês (1854 - 1900)
Dicas ùteis para serem usadas em ligações inúteis
COMO ENLOUQUECER UMA TELEMARKETING Você tem recebido com freqüência ligações de operadoras de telemarketing para tentar vender-lhe assinaturas de jornais, planos de saúde, cartões de crédito, abertura de conta em banco, livros, etc. Você já está cansado dessas ligações?
Eis aqui 10 meios de “atormentar” a pessoa que está do outro lado da linha...
O doente: Quando a pessoa lhe perguntar “como vai?”, responda: “Estou tão feliz que você esteja me perguntando isso! Hoje em dia ninguém mais se preocupa comigo e preciso tanto conversar com alguém... Minha artrite está me matando e meu cachorro acaba de morrer. O pior, e o meu médico que me disse...”
O lento: Perca tempo, dizendo que vai pegar uma caneta e um bloco de papel e peça à pessoa para falar MUITO devagar porque você estará escrevendo tudo o que ela disser.
O detalhista: Quando a pessoa disser: “Bom dia, meu nome é Francisco da empresa X”, peça-lhe para soletrar o nome e o sobrenome, e o nome da empresa. Faça-o repetir.Pergunte o endereço, faça soletrar o nome da rua, o CEP. E faça repetirnovamente. Peça o nome do chefe dele, o número do CNPJ, etc. Faça pausas longas como se você estivesse escrevendo tudo num papel. Continue a fazer perguntas pelo tempo que for necessário.
O amigo: Quando a pessoa se apresentar (por exemplo: “eu sou Júlia”), dê um grito:“Júlia? Oi, querida! É você mesma? Faz tanto tempo que não tenho notícias suas!Como é que você foi na faculdade? Você não lembra mais de mim?”
O carente: Se uma empresa de telefonia ligar para lhe oferecer descontos nos interurbanos, responda com voz sinistra: “Não tenho amigos. Ninguém quer ser meu amigo.Ninguém quer falar comigo. Você quer ser meu amigo? Eu poderia ligar paravocê... Qual é teu número?”
O endividado: Se uma administradora de cartões de crédito ligar para lhe oferecer um cartão, responda que esta oferta caiu do céu, você acabou de ficar desempregado e está com um monte de dívidas, seu cheque especial foi cortado e finalmente vai poder fazer as compras de supermercado.
O preso: Ou então diga que você está em liberdade condicional, num programa de reabilitação social para detentos e que precisa pedir à assistente social a autorização dela.
O noivo: Depois de ter ouvido pacientemente tudo o que a pessoa tem a dizer, peça-a em casamento, e explique que você só daria o número do seu cartão de crédito à sua esposa.
O sonso: Dependendo do sexo da pessoa que ligar, diga: “Nem tente, André (ou Andréa, se for mulher), eu já reconheci tua voz! Essa brincadeira é boa, mas agora não tem mais graça. E como vai a tia Palmira?”. Não importa o que a pessoa disser,repita: “Pára com isso, André, você não percebeu que eu já te reconheci?”.
E... finalmente, esta é a melhor resposta:
O vingativo: Diga à pessoa que você está ocupado no momento, mas peça que ela lhe dê seu número particular que você irá ligar mais tarde. A pessoa, evidentemente, não vai querer lhe dar o número. Responda, então: Eu imagino que você não queira ser importunado na sua casa... Eu também não!”
Eis aqui 10 meios de “atormentar” a pessoa que está do outro lado da linha...
O doente: Quando a pessoa lhe perguntar “como vai?”, responda: “Estou tão feliz que você esteja me perguntando isso! Hoje em dia ninguém mais se preocupa comigo e preciso tanto conversar com alguém... Minha artrite está me matando e meu cachorro acaba de morrer. O pior, e o meu médico que me disse...”
O lento: Perca tempo, dizendo que vai pegar uma caneta e um bloco de papel e peça à pessoa para falar MUITO devagar porque você estará escrevendo tudo o que ela disser.
O detalhista: Quando a pessoa disser: “Bom dia, meu nome é Francisco da empresa X”, peça-lhe para soletrar o nome e o sobrenome, e o nome da empresa. Faça-o repetir.Pergunte o endereço, faça soletrar o nome da rua, o CEP. E faça repetirnovamente. Peça o nome do chefe dele, o número do CNPJ, etc. Faça pausas longas como se você estivesse escrevendo tudo num papel. Continue a fazer perguntas pelo tempo que for necessário.
O amigo: Quando a pessoa se apresentar (por exemplo: “eu sou Júlia”), dê um grito:“Júlia? Oi, querida! É você mesma? Faz tanto tempo que não tenho notícias suas!Como é que você foi na faculdade? Você não lembra mais de mim?”
O carente: Se uma empresa de telefonia ligar para lhe oferecer descontos nos interurbanos, responda com voz sinistra: “Não tenho amigos. Ninguém quer ser meu amigo.Ninguém quer falar comigo. Você quer ser meu amigo? Eu poderia ligar paravocê... Qual é teu número?”
O endividado: Se uma administradora de cartões de crédito ligar para lhe oferecer um cartão, responda que esta oferta caiu do céu, você acabou de ficar desempregado e está com um monte de dívidas, seu cheque especial foi cortado e finalmente vai poder fazer as compras de supermercado.
O preso: Ou então diga que você está em liberdade condicional, num programa de reabilitação social para detentos e que precisa pedir à assistente social a autorização dela.
O noivo: Depois de ter ouvido pacientemente tudo o que a pessoa tem a dizer, peça-a em casamento, e explique que você só daria o número do seu cartão de crédito à sua esposa.
O sonso: Dependendo do sexo da pessoa que ligar, diga: “Nem tente, André (ou Andréa, se for mulher), eu já reconheci tua voz! Essa brincadeira é boa, mas agora não tem mais graça. E como vai a tia Palmira?”. Não importa o que a pessoa disser,repita: “Pára com isso, André, você não percebeu que eu já te reconheci?”.
E... finalmente, esta é a melhor resposta:
O vingativo: Diga à pessoa que você está ocupado no momento, mas peça que ela lhe dê seu número particular que você irá ligar mais tarde. A pessoa, evidentemente, não vai querer lhe dar o número. Responda, então: Eu imagino que você não queira ser importunado na sua casa... Eu também não!”
E o Círculo se inicia...
Esta é a primeira contribuição externa para o "Círculo da Escrita Maldita" (algo que tentarei explicar com o tempo, muito tempo...), feita pelo nosso grande colaborador, Rena´s Man. Bem vindo e Viva a Catuaba !
Mude...
Mude seus cabelos...
Mude seus cabelos e seja feliz.
Não vou julgar não,
Analisados, todos somos quando mudamos,
A partir do próprio umbigo, vizinho
Que sem te perceber, não pode ver
Como está bem o seu jeito azul de refletir
E mudar as idéias comuns.
Por baixo da trama de fios que nos conecta
Existe muito mais cor do que percebo
E vejo muito mais agora e te agradeço: obrigado.
Mude...
Mude seus cabelos...
Mude seus cabelos e seja feliz.
Não vou julgar não,
Analisados, todos somos quando mudamos,
A partir do próprio umbigo, vizinho
Que sem te perceber, não pode ver
Como está bem o seu jeito azul de refletir
E mudar as idéias comuns.
Por baixo da trama de fios que nos conecta
Existe muito mais cor do que percebo
E vejo muito mais agora e te agradeço: obrigado.
22 maio 2006
Pensamento do Dia
" É uma infâmia nascer para morrer não se sabe quando nem onde ”
Clarice Lispector
Clarice Lispector
18 maio 2006
PROVÉRBIO DO DIA
"Os políticos, como as fraldas, devem ser trocados de tempos em tempos. Pelo mesmo motivo". (Sei Lá - filósofo hungaro, naturalizado jamaicano, residente em Arraial D`ajuda - BA)
O Início do Fim
Primeira Postagem.
Primeira Bobagem.
Ainda estou começando
Estou só engatinhando
Mas quando abrir a boca
Não será para pedir papinha
Nem para chorar pelo mingau
Vou espalhar minha estriquinina
Verborrágica, mágica, letal
Vou conclamar os quatro ventos
Todas as Fúrias
Os Elementos
Para comigo semearem
Um novo começo
Primeira Bobagem.
Ainda estou começando
Estou só engatinhando
Mas quando abrir a boca
Não será para pedir papinha
Nem para chorar pelo mingau
Vou espalhar minha estriquinina
Verborrágica, mágica, letal
Vou conclamar os quatro ventos
Todas as Fúrias
Os Elementos
Para comigo semearem
Um novo começo
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