03 junho 2013

DAS ARTES DO AMOR OU DE QUANDO SENTI A PRESENÇA DE YEDA SCHMALTZ

            Entre os dias 16 e 19 de maio, tive a felicidade de participar da 10ª Galhofada Cultural, aqui em Goiânia. Um evento que por algumas de suas particularidades já seria bastante sui generis, afinal, uma mostra de teatro feita no meio da rua e da comunidade já é por si só algo inusitado, mas que por conta de outros fatores torna-se ainda mais envolvente e impactante.
            Destaque-se que é praticamente uma operação de guerra, com um batalhão de pessoas envolvidas com o intuito único de levar, como diria a música, “diversão e arte” de forma gratuita e sincera para a população. É bom lembrar que os artistas participantes doaram seu tempo e esforço para que o evento acontecesse. Sem cachê, sem patrocínio, sem jabaculê. E sem qualquer apoio governamental ou de alguma lei de incentivo, ato raro em um país rico em cultura, mas pobre em investimentos na área (pelo menos aqueles onde não se vê uma lei de incentivo por perto).
            Entre os que carregam a bandeira do evento, estão a Oficina Cultural Gepetto, o Teatro Zabriske, Grupo de teatro NuEscuro, Cia de Teatro Poesia que Gira, Teatro que Roda, além de vários outros grupos  e abnegados como Marcos Lotufo, que insistem em levar adiante tal empreendimento em nome de algo que está  cada dia mais raro de se encontrar por aí. Estes malucos do bem fazem o que fazem em nome do amor.
            Amor... Pela Arte.
            

Foi lindo ver palhaços, mágicos, atores e atrizes, equilibristas, músicos, artistas das mais variadas gamas dando o melhor de si em atuações de delicado fervor, acompanhados de perto por um público que era composto desde a população das redondezas, gente que comumente não tem acesso a nenhuma forma de arte ou evento cultural, até grandes apreciadores das artes, que ali estiveram para conferir o que acontecia no evento. Bonito de ver também foi o apreço que as pessoas deram à nossa banquinha de troca de livros; crianças, adultos, idosos ou adolescentes, era nítido o olhar reluzente que transmitiam, toda vez que topavam com um título conhecido ou algum exemplar há muito desejado. O exercício da literatura também é isso, aproximar o público dos livros.

            Amor... Pelos colegas de profissão.



Uma das coisas que ficaram impregnadas na memória foi observar de perto a união do pessoal do teatro / circo. De empréstimo de figurino a ajuda para compor público, ali se viu de tudo que um artista pode fazer em favor do outro. Uma camaradagem genuína, daquele tipo que não se vê todos os dias. Arrisco a dizer que, se na literatura local tivesse semelhante movimento, as coisas seriam bem melhores para nossos escritos...
Amor... Pelo próximo.

Além de todo o contingente de artistas que dedicaram tempo e esforço para tal empreendimento, houve também todo um aparato de apoio por trás da lona: cenógrafos, iluminadores, operadores de áudio, até uma cozinha inteira, que alimentou não só o exército de voluntários, como também uma parte de público, que teve a oportunidade de saborear deliciosos pratos no meio daqueles que apresentavam-se por ali. Lembro que, quando desarmava diariamente minha barraquinha de livros, juntamente com a parceira Izaura Franco, quando tinha que carregar algum dos mais variados itens que acabamos levando para estes eventos, geralmente aparecia, assim quase do nada, algum integrante de grupo teatral ou pessoal do apoio e punha-se a ajudar na hora, espontaneamente, como devem ser feitas todas as boas ações. Fica a lição de civilidade e companheirismo, mesmo daqueles que nem cheguei a conhecer devidamente. Registre-se também que, mesmo nos dias de sua máxima lotação, não vislumbrei um único ato de vandalismo ou confusão no local; parece que a aula de cidadania dada pelo evento conseguiu ludibriar até dona violência, que agradecidamente não deu as caras por lá.

 Amor... No ar. Entre o público, entre as crianças, entre os espectadores e as apresentações, entre os músicos, artistas, nos palcos, nas ruas, no cortejo e na Ilha da Galhofa, na Feirinha de Pulgas, debaixo da lona ou no meio do picadeiro, o que se via ali era um exercício de amor. Pela arte, pelo companheiro, pelo próximo.  
            O amor, sempre ele. Até quando apresentou-se em sua singela forma fraternal. Veio por conta do bate-papo descontraído com um dos leitores presentes no estande, Júlio Cesar, que teve a felicidade de partilhar da intimidade de uma grande poetisa como Yeda Schmaltz. Fez ele um emocionado relato daqueles anos que dividiu com sua amiga de tal modo que pode-se sentir como se ela estivesse ali, conosco naquela barraca de livros, trocando impressões sobre o movimento de pessoas e artistas no local, da felicidade que é poder participar de um evento genuinamente artístico, de amor pela arte e pelo outro... A voz, por vezes embargada, fez um retrato fiel do relacionamento ─ conturbado em alguns momentos, como deve ser toda amizade sincera ─ mas, que no fundo deixava entrever o amor que ali existiu até depois do final.
             Exatamente o mesmo tipo de amor que parecia emanar da Ilha da Galhofa, naqueles quatro dias de efervescência cultural.

29 abril 2013

Diário de Viagem de um escritor bêbado - A ida


                    Embarquei em Goiânia às 14:00 horas e, por conta da excelência do trânsito de quinta-feira, só saímos  da  cidade  (pegando o caminho mais rápido, a BR-153),  lá  pelas   16:00h.   E  quando  digo  sair, efetivamente, é deixar até Aparecida para trás. Até porque tudo é um balaio só. Então este foi o começo da viagem, bem devagar, por sinal.
            Transcorremos o sul do estado e ainda não havíamos avançado grande coisa quando lá pelas 19:00 horas uma lua cheia e linda, que parecia desgarrada do céu, irrompeu praticamente ao lado da estrada: a borda do mundo era logo ali. Pensei em pegar a máquina fotográfica e registrar o momento, como outras pessoas estavam fazendo, mas o olho digital nunca consegue registrar devidamente imagem como esta, concedendo-lhe devida beleza.
Há outra verdade embutida aí: a tal máquina havia ficado na outra mala, que repousava calidamente no bagageiro. Juntamente com minha garrafinha da sorte. Já que não podia nem fotografar nem beber, resolvi guardar a imagem na memória, onde ela seria, mais cedo ou mais tarde, etilicamente assassinada.
No transcorrer da viagem, algumas coisas deviam ser observadas. Uma delas é que a divisão de espaço requer por vezes diplomacia; o encosto do banco da frente, por exemplo, devido a um mal funcionamento, escorregava para trás, vindo descansar sobre minhas pernas, nos joelhos, melhor dizendo.  Nada que um breve cutucão juntamente com um pigarro não alertasse o folgado da poltrona que estava incomodando; assim se passou quase toda uma noite em claro. De manhã, mais uma surpresa: a cortina da janela detrás não protegia exatamente minha poltrona do sol (que esgueirava-se SOMENTE para me atingir)... Hora de sacar a jaqueta do fundo da mochila e utilizá-la como guarda sol. Viu como ajeitando aqui e ali consegue se driblar os inconvenientes? Quanta inocência...  
Alguns dos mais malignos males em uma viagem dessa são os sons. Primeiro um celular filho-de-uma-pula-e-peida, daqueles que tocam com música sertaneja da mais grudenta (podia até ser pior, pensando agora... Vai que fosse funk: fodia tudo) e que nunca, jamais, saía da área de cobertura (pelo tanto que tocava, devia ter uma antena com tecnologia do inferno). Mas os piores, mais terríveis e enervantes sons que se ouve em um ônibus chacoalhando perdido no meio do nada provêm de doces e singelas criancinhas...
Crianças são solidárias. Mesmo em Minas (onde já nos encontrávamos, naquela altura). Falam juntas, riem juntas, choram (bastante) juntas. Basta uma começar que as outras seguem rapidinho. Pode parecer escroto isso vindo de um cara que tem uma paciência de Jó com os outros, principalmente as crianças, mas aquelas 17 horas foram de lascar...
Solução: Cerveja.
Abasteça-se do máximo possível de brejas ou qualquer outra birita (melhor olhar isso ANTES de embarcar: nas BR´s o comércio de álcool foi banido). O negócio é mandar tudo pela goela e aguardar o sono de Baco, que o abençoará quilômetros afora...
Se isto não funcionar, faça como diria o Giovani Iemini: vingue-se.
No meu caso, utilizei um recurso condenado pelas Nações Unidas: armas químicas. Entupi-me de todas as piores guloseimas vendidas na beira da estrada (não façam isso em casa: todo o procedimento foi efetuado por um profissional: quitutes vendidos nos estabelecimentos marginais ao caminho podem matar um ser humano comum): ovo cozido, quibe com ovo, ovo em conserva e uns picles, para dar um aroma, digamos, refinado...
Daí foi só escolher um bom livro para ler (no caso, utilizei-me do “Mulheres” do Velho Safado),  e esperar o sistema digestivo fazer a parte dele, enquanto ria à solto das pérolas do bebum mor das letras.
Risos e peidos. Não havia vingança mais ieminiana que isso... E olha que esta era só a ida. 

17 abril 2013

Lançamento de livros no SESC - GO

Programa para sexta, lançamento de livros em conjunto, coquetel incluso. É isso...

fiquemnapaz

14 abril 2013

FLIDF 2013 – Balanço do evento ou Quando encontrei uma música do Renato Russo em carne e osso


É... Tem uma cara que não posto nada por aqui, mas isso tem uma explicação bem simples: estou finalizando a nova cria, “O Etéreo ser de carbono”, um trabalho de parto de 5 anos, entre idas, vindas e alguns prêmios. Mas isso é outra estória, que vem em breve.
Fui sexta passada para “Behrsília” (rebatizei a Capital Federal assim no dia que tomei umas pingas com o M.P. Haikel na Feira do Livro de 2011, quando tomamos um porre e falamos da poesia do Nicholas; outra estória para outra hora), pois o comparsa Giovani Iemini estava desde o dia 08 de maio com um stand do Bar do Escritor na Feira do Livro do Distrito Federal, incrustada no Taguatinga Shopping.
Aterrissei por lá no começo da tarde (aproveitei a chegada para passar na casa de minha madrinha, a incrível “Di”, onde filei uma boia e botei os assuntos familiares em dia, aproveitando o carinho e hospitalidade de costume) encontrando um atônito Giovani atordoado com minha chegada desavisada, de supetão e já caindo matando. Em cinco minutos, já de livro nas mãos, soltei a coleira da língua e vendi o primeiro exemplar: literatura corpo-a-corpo, falando diretamente ao futuro leitor, exemplificando pormenores do livro, mandando um desconto por conta da casa e um autógrafo incluso no pacote, que feira de livro é para isso mesmo.
Após o espanto inicial, o guru do BDE mandou a letra de como estava indo a parada até aquele momento: o pessoal presente reclamava um pouco da divulgação, mas a estrutura encontrada era compatível com outros eventos correlacionados. Mas independente de tudo, o público deu as caras no fim de semana, lotando os corredores do lugar e proporcionando uma interação bem legal.
Fico sempre elétrico quando vejo o interesse das pessoas pelos livros: aquilo atiça a vontade dividir as experiências literárias e foi com prazer que troquei ideias com novos autores, pessoas que estavam ali de livro nas mãos, ainda tentando se jogar no espaço livre do mundo das letras, além de vários amantes da letras, leitores esporádicos, uma pá de concurseiros (quer prestar concurso, vá estudar em Brasília) e outros seres multidimensionais.
 Acredito que, por ter sido a primeira (de outras possíveis), a FLIDF tem tudo para entrar no roteiro da cidade (ou do próprio shopping, se rolar interesse). Daí, com a sequência o evento engata de vez.
O que carregar dessa nova aventura literária? Em primeiro lugar, como em todas as viagens, conhecer pessoas legais, um dos grandes baratos da existência. Destaco algumas, na impossibilidade de lembrar todas: Alaélio, o Cachorrão: um mecânico de motos-quase-macgyver-perito-na-arte-de-curtir; vizinho de stand, passamos o tempo todo atendendo clientes e contando hilariantes histórias dessa porralouquice que chamamos de vida; Márcia, da Best Whishes, um projeto de livros infantis muito interessante, mais uma parceira para a família BDE; Bicudo, uma figura pra lá de divertida, que apareceu no stand com uns desenhos muito punks e estórias idem.
Claro que fico muito agradecido a aqueles que adquiriram nossos livros e espero de coração que curtam bastante, bem como a todos que de uma forma ou outra ajudaram nestes dias de feira. Outro fator legal foi reencontrar o Heron, membro da Academia de Letras de Taguatinga e prova viva que quem quer, consegue. Do Giovani nem vou falar mais: o figura já sabe que “tamos” aí.
Foi difícil deixar a feira em plena tarde de domingo, quando ela apontava um público crescente no último dia, mas a estrada clamava a volta, pois na segunda o bicho pega em Goiânia. E foi a overdose de café e energético que tomei nas duas horas de estrada de volta que acabou lançando-me aqui, pilhado no começo da madrugada, já em casa, tomando uma esquecida cerveja e ouvindo John Frusciante mandar “Before the beginning”... É isso. Missão dada, missão cumprida.

P.S.

Ah, é... Tava esquecendo de explicar a segunda parte do título. Lá em cima, saca? Então, tava lá eu, no meio da feira, autografando um livro para um casal novo, ambos muito solícitos e simpáticos. Daí vem a pergunta de praxe (a falta que uma assistente não faz, tivesse uma, já vinha um post-it do lado, com nome e grafias corretas... mas vá lá, vida de escritor-punk-rock é assim mesmo):
Em nome de quem?
Mônica - disse a moça
Eduardo- emendou o rapaz.
Para Eduardo e Mô... Minha memória adolescente deu um tranco:
Peraí, “Eduardo e Mônica”? Igual à música? – falei animado.
É... – disseram os dois meio acanhados. Saquei na hora que deviam ouvir uma pá de piadinhas por conta da coincidência e que quase fui levado a fazer mais uma piada para o hall de encheção de saco. Tava até com uma na ponta da língua, mas acabei segurando. Só tinha uma coisa a fazer naquela situação: dei meia volta, agarrei outro volume do Bar do Escritor (Brand, o da capa “Jack Daniel´s”).
Tó, vão levar esse aqui por conta da casa – ao ver a cara meio de espanto, meio de desconfiança pela parada que os dois faziam, emendei:
É que nunca encontrei nenhuma lenda da música assim tão de perto.  

Encontrar Eduardo e Mônica em Brasília, numa feira de livro? Merecia prêmio, claro...

P.S 2

Se conseguir, depois posto fotos da parada. Fico devendo, mas quase nunca cumpro...

Fiquemnapaz

04 fevereiro 2013

Aritmética Noturna




Dois copos
um cinzeiro
várias idéias
nenhum rumo

Seis cervejas, dois whiskys
mililitros alcoólicos
dez da noite
noves fora
páginas rabiscadas
péssima caligrafia
sem enxergar direito
tentando escrever poesia:
completamente bêbados
não fizemos porra nenhuma
só o de sempre. 

29 junho 2012

FICA - Quarto Dia

     O caldeirão cultural de Goiás começa a ferver. Ontem o dia começou com uma homenagem ao escritor Bariani Ortêncio no pátio da Igreja do Rosário, à qual cheguei no fim porque estava montando o ponto de leitura; pobre é assim mesmo, mora longe e chega atrasado. Mas a compensação foi juntar-me aos bons e bater um rango junto com a galera das grandes letras no Restaurante Ipê. De quebra, umas cervejinhas pós-almoço e um bate papo descontraídaço com o repórter Fábio Marinho e esposa, um pessoal cheio de história para contar.
     A tarde no ponto de leitura também foi bem animada com a reunião dos autores conversando com o público e uma contação de causos expontânea e divertida. Falando nisso, aproveito aqui para agradecer ao apoio da galera da recepção do Quartel do XX, Luíza, Jorge e cia ltda, além de expressar minha admiração pelo gesto da turma que está trabalhando com uma fita de luto em memória de Jurema, que junto com eles havia trabalhado em todas as outras edições do FICA. Lá de cima ela deve estar curtindo tudo...  
     Mas antes de cair o pano, percorri as ladeiras de Goiás na pele do Anonimo da Literatura, acompanhando o multitalentoso duo Taise e Lucas, da Companhia Poesia que Gira do grupo de Artes Cênicas da UFG. Os dois cantam uma  barbaridade. Fizemos um roteiro pelo centro, com declamações e músicas diversas, além de algumas mágicas para a criançada, que ficava louca com a máscara. Por fim o improviso que fizemos de "O bêbado e a equilibrista" (para mim foi canja fazer o bêbado; tenho tempo de estrada e copo o bastante para fazer isso "à capela") parou a pizzaria onde fomos jantar; o povo se encantou tanto com a perfomance que rolaram algumas cervejas e pizzas na faixa... É, a arte também enche o bucho, rapaziada. 

     Pena não ter registrado o momento, poque o fera aqui esqueceu o memory card da máquina de fotografias. Mas vou pedir a alguns amigos que conseguiram umas chapas e depois posto por aqui. 

     É isso, a maré tá virando o quebra-mar e o FICA bombando. 

     ficanapaz   

28 junho 2012

FICA Terceiro dia


Ontem tivemos o acréscimo da Biblioteca Pio Vargas, bem como a presença de Bariani Ortêncio, do alto de seus mais de cinquenta anos de estrada literária, somando forças no ponto de leitura Paulo Bertan. O lugar transformou-se em uma animada discussão literária, junto com os outros escritores já presentes desde o dia anterior. E ainda rolaram dois bônus: entrei em contato com Benjamim e Pedro Ivo, vindos da Barra, onde inacreditavelmente são parceiros de meu amigo das antigas, Éden. De quebra ainda conheciam o Ivo Venarusso, participante da 1a. Antologia do Bar do Escritor. Esse mundo, mais que o futebol, é mesmo uma caixinha de surpresas...
Registro do Anônimo da Literatura capturado pelo Paulo Torres, da Secult.

No começo da noite, animado com a presença e coragem de uma galerinha maneira do curso de Artes Cênicas da UFG (que ainda disseram que irão descambar para a FLIP, pira? Acabei chamando a geral para o barraco do BDE, agora é ver se cabem mais quatro cabeças na fita), resolvi colocar o Anônimo para roletar rapidamente pelo centro de Goiás, espalhando uns livrinhos e fazendo uma brincadeira legal com os transeuntes. Hoje à noite deve ter mais, muito mais...

É isso, a maré tá enchendo e o FICA cada vez mais bombado. "Tomar banho de canal quando a maré encher!" 

ficanapaz 

27 junho 2012

FICA - Segundo Dia

http://fica.art.br/noticias/projeto-literario-bar-de-escritor-expoe-obras-no-fica-2012/

O tempo vai passando em Goiás e fincamos raízes. Mais fácil ainda quando se está hospedado ao lado da casa de Cora (no Hotel da Ponte, pira?), vai-se dormir e acordar poeticamente. Mas antes disso muita água passou sob a ponte: no espaço de leitura dentro do Quartel do XX, pude trocar uma ideias com várias pessoas maneiras, como Aidenor Aires, Brasigóis Felício, Clara Dawn e uma zaga de escritores do bem. Para fechar a noite, abertura oficial do FICA, show de Sabah Moraes cantando Edith Piaf e ainda por cima dividi uma cerveja (uma mesmo, nem eu acredito que tomei tão pouco; ter acordado às cinco da matina deve ter contribuído um tanto para isso) com o neto de um de meu heróis de infância; o gente fina João Luiz Prestes, da Secult, descendente do Cavaleiro da Esperança, Luiz Carlos Prestes. Foi um bate papo maneiro, a respeito da infância ao lado de alguém que entrou com o pé direito na História, essa mesma, com H maiúsculo... 

O FICA segue seu caminho e a gente vai indo, na maré... 

ficanapaz 

26 junho 2012

FICA 2012

Primeiro dia de FICA, com o Bar do Escritor no Quartel do XX, em Goiás. Ainda nos "aclimatando" e fazendo os últimos acertos no stand. O festival está apenas começando...

23 janeiro 2012

Camisetas da Terceira Antologia do BdE



Poisé, como das outras vezes, estou fazendo camisetas da nova antologia do Bar do Escritor. Graças ao excelente trabalho feito pelo Carlos Henrique Neri, esta ficará um primor de camiseta.

Disponível nas cores branca e preta, tamanhos P,M,G e GG. Quem estiver interessado pode enviar um e-mail para mim cmpneto@bol.com.br. O preço é somente 30 reais (menos a GG que é 35 reais) e, com mais R$ 15,00, pode levar junto o novo livro (lembrando que o lançamento nacional do mesmo, conforme o anúncio abaixo, é dia 03 de março de 2012. Um pouquinho antes do fim do mundo... Então, vamos encarar o fim dos tempos vestindo algo legal?






ficanapaz

Terceira Antologia do Bar do Escritor




O Bar do Escritor (www.bardoescritor.net) é uma comunidade de escritores, poetas e artistas brasileiros que age coletivamente em busca da promoção da literatura e da difusão do pensamento crítico e liberário.
O BdE surgiu no Orkut (www.orkut.com), uma rede social, em agosto de 2005, como um espaço para discutir literatura. Hoje possui 3766 membros cadastrados. Nesse tempo, produziu um ezine (eletronic-fanzine) com 50 rodadas desde 2007, um blog coletivo (www.blog.bardoescritor.net) com 27 colunistas diários e 03 convidados mensais (já foram publicados quase 100 escritores) e dezenas de blogs literários parceiros. Em 2007 o BdE publicou pela primeira vez em papel, com o Zine Bar do Escritor. Nos anos seguintes, três antologias: 2009 com Anarquia Brasileira de Letras, 2010 com Brandt e 2011 com Terceira Dose, além de incontáveis citações e elogios em obras dos escritores participantes.
É esta terceira antologia que será lançada em 03/03/2012, em dúzias de cidades brasileiras, todas conectadas com vídeo no mesmo blog de lançamento. Os 37 autores reservarão espaço em bares, cafés ou auditórios em suas cidades para promoverem o lançamento. No dia e hora combinados, todos conectarão seus laptops com câmera ao site Ustream (www.ustream.tv) e produzirão imagens para o blog do lançamento (www.bardoescritor-terceiradose.blogspot.com). Numa hora combinada, todos os presentes nos lançamentos, simultaneamente, nas várias cidades participantes, conectarão no site as imagens dos outros participantes e será promovido um brinde, que citará a história do BdE, uma homenagem à terceira antologia, a participação no movimento Occupy with Art e a celebração à liberdade, à vida, ao amor e à felicidade, mostrando que é a união e a participação coletiva e ordenada que promovem bons resultados.

16 novembro 2011

Feira do Livro de Brasília 2011

Depois de um começo meio morno (em movimentação, pois o tempo estava quentíssimo) a 30ª Feira do Livro de Brasília está bombando. Pelo menos foi o que percebi nos dias em que estive lá (de 6ª passada até ontem, dia 15). Um tanto bom pode ser creditado ao feriadão, que fez com que a cidade ficasse bem vazia. Mas isso não impediu que eu e o brother Marco Polo Haikel nos lancássemos na prática da "literatura corpo-a-corpo": aquela em que o escritor vai atrás do leitor oferecendo o livro, olho-no-olho, fazendo com que as letras girem e atinjam ainda mais gente. O maneiro da coisa é que você acaba tendo contato com pessoas muito legais, altas idéias e coisas mais (tá, tem um chato que vez ou outra que te ignora, mas aí você ignora ele também e toca a vida. E as vendas).


Vale até se fantasiar: no meu caso, desde a Flip que utilizo-me dos serviços do "Anônimo da Literatura". Uma forma a mais de chamar a atenção para o livro. Isso até o leitor abrir a capa, pois daí, a missão passa a ser do texto. Se mandei bem, ele tem que segurar a onda sozinho.



Outra parada legal é manter contato com outros autores, para troca de impressões ou mesmo para dialogar sobre projetos, livros e demais coisas. Na foto ao lado, estão dois que merecem destaque (e para fazer um mea culpa, esqueci o nome do parceiro de chapéu). O Nicholas Behr nem é preciso apresentar, por conta da cabeleira prateada e a pinta de durão (mas o cara é gente fina pacas). Poeta das antigas, dos tempos do mimeógrafo, ensinou e ainda ensina muita coisa para a galera que percorre essa via crucis (embora muitas vezes ducis) do underground literário. Figuraça.




Já o Heron Luiz merece um parágrafo à parte. O cara é um exemplo de vida: por ter disfunção motora, aparentemente parece estar em desvantagem perante os outros. Ledo engano: é um entusiasmado poeta que luta incansavelmente pelo que acredita (no caso, seus livros) e corre atrás, fazendo mais que muito fulano que se se diz "normal". Exemplo de vida.




É isso, o feriadão foi de muita ralação literária, mas agora a vida de Clark Kent me chama de volta. Mas vejamos se sexta que vem a gente não volta para Behrsília (depois que falei isso bêbado para o M.P. não esqueci mais, parece que definiu a cidade), para um bis.




ficanapaz

13 agosto 2011

Deveras no Programa Raízes

Amanhã, 14/08 irá ao ar a entrevista que dei ao Programa Raízes, do amigo Doracino Naves, com participação do escritor e companheiro de letras Edival Lourenço. 

O link do programa é www.programaraizes.net


E la nave va... 

04 julho 2011

Confissão

Se hoje trago um rasgo,
no riso,
explico:
é porque já beberiquei
da felicidade alheia
de vossas seivas
de suas sereias,
herdei a devassidão.

20 junho 2011

Em dias de pré-Flip, vai-se de Fica.

Enquanto a contagem regressiva não se esgota para Paraty, decidi em um estalo daqueles assim, do nada, dar um pulo na cidade de Goiás durante o Festival Internacional de Cinema Ambiental - FICA, e fazer um experimento com a venda de livros de maneira itinerante e puramente mambembe.
Contei com a ajuda sempre disposta da Izaura Franco e sua R&F Editora, para aumentar o conjunto de títulos. Alguns trabalhos do Nejar, Maria Luisa Ribeiro, da própria Izaura, dentre outros, vieram fazer companhia aos meus “Jantar às 11” e “Tá na rede”, além das duas antologias do Bar do Escritor. Uma coleção bonita de se ver...
Misturando uma vontade de experimentar a venda de livros daquele jeito atuando no corpo-a-corpo, vendendo livros de forma guerrilheira, abordando as pessoas, oferecendo literatura, praticando a arte de escrever de forma física, full contact; respirar os ares do Fica e tomar umas em Goiás, foi que cheguei no sábado, dia 18.
Acompanhavam-me minha namorada, Jenny, e o Giuliano, parceiro de trampo na Agecom. Os dois, é claro, mais preocupados com a festa. Eu, com a festa, mas também com um pezinho no trampo.
Depois de perambular por várias ruas do centro histórico procurando um local para “montar-barraca-mas-sem-ter-uma”, arranjei um local no meio da feirinha ao lado do coreto e dali busquei meu lugar ao sol. E que sol...
O projeto de venda, em si, ficou devendo. Mais por conta do aviso que ficava rondando toda hora, que a fiscalização poderia recolher os livros a qualquer minuto, daí decidi manter em exposição somente meus livros e alguns do BDE: se fossem grampeados, ia pedir que ao menos os doassem para alguma escola do município. Um preju cultural, por assim dizer. O que não dava era fazer graça com livros dos outros.
Mas os contatos que fiz ali, do pessoal que passou por lá e outros como o Mozart Fialho, da Trama do Cerrado, camisetas e outros trampos muito visu, que estava com uma banca ao lado e foi de uma simpatia sem limites, dando inclusive as dicas de como estava o local e o que poderia rolar no caso de fiscal baixar, maneiríssimo.
Depois da feira, o lance foi curtir mesmo. Já que tava na roda, o jeito foi sambar. E rolou muito samba, muita passeata e alguma cachaça. Ou seria muita cachaça e alguma passeata? Bom, a verdade é que achei meio forçado “Marcha das Vadias” por lá. Mas cada um com seu cada um.
Porém, o que matou a pau mesmo foi o show do Manu Chao. Sonzeira duca, a roupagem, digamos, mais new-heavy-punk-pós-dark-moderno pegou bem para fazer o pessoal pular sem parar naquela madruga friaca na beira do Rio Vermelho. E dá-lhe “Hasta la siempre, Goiás!” O cara não arredava pé do palco e o povo não saía da frente dele. Foram uns bons 40 minutos de “tchaus”, "Gracias por la oportunidad", “Até logos” e “Adiós”. Particularmente curti demais.
Gostaria inclusive de agradecer à alma abençoada que jogou uma garrafa de Passport na faixa. E foi-se o frio...
Ficou na cuca a vontade de repetir a dose durante o feriadão que se aproxima, buscar outros ares, como os de Piri, talvez e tentar novamente a sorte. Vai que cola?
Então vamos passear no parque, enquanto a Flip não vem...

P.S. Ia esquecendo de dizer do Acampamento Jatobá, do Sr. Eurípedes, gente finíssima. Lugar muito agradável, praticamente dentro da cidade, a uns 300 metros do Posto Sota. Depois falarei mais disso, se matar a vontade de ficar de papo para o ar...

08 fevereiro 2011

CLUBE(S) DOS CANALHAS


"Não peço, imediatamente por nenhum governo,
mas imediatamente desejo um governo melhor"
Henry David Thoreau – A Desobediência Civil
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“Vai chegar de madrugada e ela vai querer saber / onde foi, aonde esteve, o que foi fazer”... Esses são os versos iniciais de um dos maiores sucessos da banda carioca Matanza. A letra é uma espécie de manual para os cafajestes de plantão se darem bem com a vida dupla que levam.
Mas, observando à fundo outras partes da música, percebe-se que cai como uma luva para os nossos queridos e diletos representantes políticos. Senão vejamos:
“...Mas à todas as perguntas sabe responder / tem um plano A e tem um plano B”... Quem acompanha o mínimo do noticiário político sabe o quanto algumas declarações dos envolvidos em diversos episódios grotescos dentro do establishment são estapafúrdias: de ambulâncias superfaturadas a dinheiro na cueca, muita coisa teve que ser (mal) explicada. Basta lembrar de uma das várias CPI´s pizzaiolas que tivemos, o interrogado limitou-se a repetir mecanicamente “não tenho nada a declarar” a cada uma das perguntas. Mais de uma dezena de vezes.
“Se você nunca se contradiz / não abre mão do que te faz feliz...” A bem da verdade, algumas contradições são até benéficas para os depoentes, afinal, como diriam lá pelos idos de 30 (em uma Alemanha totalmente diferente da atual):“Uma mentira contada várias vezes acaba por tornar-se verdade”. É o lema da nossa geração política.
“Se nada abala a tua paz / já nasceu sabendo como é que se faz / e tudo segue do jeito que sempre quis...” A partir do momento que o cidadão brasileiro decide na política nacional, o faz primariamente para satisfação pessoal, nem tanto para contribuição coletiva e crescimento da sociedade como um todo, é levar a expressão “tivesse lá também roubava” ao pé da letra! Sendo assim, ao ingressar nos certames políticos, já o faz de caso (e conchavos) pensado.
“Temos mais um sócio no Clube dos Canalhas...” Esta deveria ser, em suma, a recepção a qualquer novo membro de partido político nacional, pois nenhuma das siglas se salva da titanomaquia que grassa a vida pública: há espoliadores do tesouro nacional à esquerda, direita, centro, abaixo ou acima de tudo quanto é cenário político. Nenhuma das agremiações pode se dar ao luxo de dizer que pode “atirar a primeira pedra”; o próprio telhado de vidro impede a ação.
Há de continuar assim, enquanto os partidos não forem co-responsáveis pelas ações de seus afiliados. Deve-se adicionar que quando a dita ação é boa, como a construção de algum bem comum, o partido faz questão de se alinhar ao lado do candidato da hora, o político que estava na hora certa e no local exato para colher os louros da vitória conquistada com o empenho de todos (via impostos pagos pela população, alheia ao direito de receber em obras aquilo que paga em tributos). No entanto, quando é o caso de se pegar o mesmo elemento (o político) com a mão na botija pública, o partido até que tenta defender o meliante, conquanto a coisa não comece a ‘feder’ acima do habitual ou naqueles casos raros onde não há habeas corpus suficientes para livrar o dito cujo das grades. Aí expulsa-se o aloprado (para usar uma expressão recente) com a condição do mesmo não dar com a língua nos dentes nem entregar um número de companheiros acima do permitido. E segue a vida como se nada houvesse acontecido.
Nossos partidos são, de mamando à caducando, conjuntos vazios de moral e repletos de erros. Pode-se ingressar sem qualquer preocupação latente com o passado cível ou criminal, na maior das caras duras. Do contrário não haveria tantos parlamentares com listagens quilométricas de processos correndo em estado quase vegetativo nas várias instancias do justiça-jabuti-tupiniquim.
“E não aceitamos que apontem nossas falhas...” É o desejo de qualquer Estado em estado de apodrecimento moral: controlar o que se diz ou que se pensa dele. Controle de sua imagem e semelhança, como se fosse um deus da consciência coletiva ou o ídolo das massas. Coisa que qualquer governo totalitário rapidamente se emprenha em conseguir, para o bem de seus próprios propósitos. Viu-se a luz amarelar neste quesito recentemente quando o TSE, por meio da resolução 23.191/2009, proibiu o uso do humor que “degrade ou ridicularize candidato, partido ou coligação”. Oras, os que deveriam se precaver disso seriam justamente os candidatos, partidos ou coligações, não se metendo em situações que se assemelhem a qualquer ato que degrade ou ridicularize eles próprios. Então, como qualificar de outra coisa que senão hilária a prisão de um elemento com dinheiro na cueca? A coisa só não é mais cômica pela seriedade que é o desvio do erário.
“...queremos tudo isso que a vida tem de bom”... Segundo o Transparência Brasil, o Congresso Brasileiro é o mais caro em um conjunto de sete países, sendo que quatro deles são de primeiro mundo, como Estados Unidos e Inglaterra. Além dos altos valores de seus vencimentos (incluindo-se aí, juntamente com os salários, algumas gratificações como auxílio terno, telefone e moradia), alguns mimos como as verbas de gabinete, passagens, representação, além de dois subsídios: um no começo e outro no fim do ano que correspondem efetivamente a um 14º e 15º salários. Uma bocada nada desprezível, se fosse só este o dano das traças públicas (os elevados gastos que a máquina corporativa demanda), até que seria um pequeno preço para os bolsos da nação, o pior é que ainda inventam de aumentar seus rendimentos com relações espúrias com o dinheiro dos outros. E dá-lhe corrupção porque já que o bem é público, a todos pertence.
“Farra, prá tudo é um bom remédio...” Que o digam as farras das passagens, do patrimônio da União, da utilização de veículos por parentes, amigos e até animais. O trem da alegria nunca pode parar.
“...Só um idiota completo morre de tédio / queremos tudo isso que a vida tem de bom...” Há quase cem anos um dos maiores parlamentares brasileiros (senão o maior deles), Rui Barbosa, já vaticinava a pobreza moral que imperaria nos meios políticos nacionais e, porque não dizer, em toda a sociedade: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”
“Sabe o quanto é importante não dar muita explicação / não há nada de extraordinário na situação...” Alguém já viu um político que seja, responder de forma clara e precisa, sem rodeio algum, à qualquer acusação de má versação de recursos ou desvio de dinheiro público? Isso quando se predispõem à responder... E a sociedade brasileira, já desgastada por demais com o (baixíssimo) nível de nossos parlamentares, nem se assusta mais com os novos modelos e formatos das maracutaias de “seus representantes”.
“...o segredo do sucesso é a moderação / ter um dia sim e ter um dia não”... É aí onde a letra da música se distancia novamente da ação dos políticos nacionais. Para eles, todo dia é dia de feira, de festa, de fazer uma vaquinha com o dinheiro dos outros e de autofinanciar o próprio pé de meia. Se roubassem, digamos, nas segundas e sextas-feiras, já seria um avanço na corrupção brasileira: é que nestes dias não há expediente em Brasília...

10 janeiro 2011

Banho de Sol

Imagine um hipotético dia ensolarado em uma penitenciária qualquer. Vai lá que um futebolista com a singela alcunha, também hipotética, de "Nordeste da África" está ali tomando seu merecido banho de sol. Vai que aparece outro futebolista, cujo nome perdeu-se dentro do uniforme laranja (antes já foi de cores bem mais vistosas). Hoje responde pelo número 03854. Há um diálogo:

- E aí, beleza?
- Tranquilo, uai.
- Como vai a vida?
- Ah, o mesmo de sempre. Tribunal, cadeia, julgamento, essas coisas...
- Acusação?
- Dizem pro aí que mandei apagar uma ex, picotá-la em pedacinhos, dar aos cachorros, desaparecer com os restos, só para não pagar pensão. E você?
- Tão falando que forjei um sequestro relâmpago, só por conta de atraso na reapresentação no clube... Essas coisas...

Seguem seus caminhos, cada um para sua cela.

- Puta cara burro! Era só dar um troco para a maria-chuteira que resolvia tudo!

- Eita mané do caralho! Era só matar o treinador, picotá-lo em pedacinhos, dar aos cachorros... Essas coisas...

04 janeiro 2011

O Outro

Sou outro, outra vez
refletido em um rosto que não reconheço
não sei onde me encontro
não sei qual é o preço
da sanidade que não controlo
da ingenuidade que me consola
da concordância com o mundo
ou da revolta que ainda guardo
há na mente tantos quartos !
Tantas lembranças, tantos fardos
mas vou à luta novamente
erguendo-me da lona
onde atirado estava
no fundo da minha vala
que cavei para me defender
dos assaltos ao coração
da covardia e da traição
da minha própria condenação !
sem defesa e sem juiz
me acuso continuamente
por teimar em ser feliz
por sorrir serenamente
enquanto o caos me consumia
levando os socos ainda sorria
fingindo ser tão poderoso
inatingível e inalcançável

Era outro eu que se valia
da bravura e covardia
que dissimuladamente exibia
Estóico !
era o brado que retumbava
nos caminhos que passava
Heróico !
feitos meus que não contei
que nem mesmo acreditei
terem sido obras minhas...

Mas isso é passado de um outro
que guardo longe dos olhares
e me acompanha aos lugares
sem ser visto por ninguém...

Mesmo comigo ele insiste
quer provar que ainda existe
quer provar que é alguém

19 junho 2010

Dos ofícios, ofídicos e seus males

− Profissão?
− Escritor.
A mulher, ao lado, resolve agir. Até então não havia dito nada, enquanto ele respondia ao check-in do hotelzinho de beira de estrada:
− Como assim, “escritor”?
− Ué, escritor, aquele que escreve.
− E de onde você tira que é escritor, imprestável?
− Bom, eu escrevo, daí sou escritor.
− Não, eu tô dizendo de quem escreve para valer!
− Mas eu “escrevo para valer”. Já até publiquei livro, fiz lançamento...
− Mas isso vale para quem vive disso, seu burro! Quem ganha dinheiro.
− Filha, a grana para esta viagem tu acha que saiu de onde? Do coelhinho da páscoa?
Sem graça com o desenrolar cotidiano, caseiro, conjugal e caótico à sua frente, o atendente arrisca:
− Desculpe senhor, é que...
− E você, cale-se! – a mulher lançou-lhe o famoso olhar de caninana preparando o bote. Retomou a carga dando as costas para o pobre − Estou falando de dinheiro de verdade, para comprar casa, bancar feira do mês, pagar energia, telefone, mandar os filhos estudarem na Suíça, tirar carro do ano, férias na Europa...
− Uai, mas nós estamos de férias!
− Eu tô falando de férias na Europa, não em Cachimbó do Aterro, energúmeno! Além do que, você “vive de férias” com esse “negócio de livro”...
− Querida, veja bem...
− Veja bem é o escambáu! Não me venha com essa retórica de “comunidade de escritor”! − Apertava-o devagarinho, tal sucuri faminta a bezerro gordo. Suspirou, olhou ao céu, agradeceu a providência divina pela paciência. Se a substituísse pela força, já era.
− Amor da minha vida, não se constrói uma carreira literária do dia para noite. Tudo tem um caminho a ser seguido, entende?
− Eu entendo é que esse parangolé aí não dá camisa.
− Benzinho, tudo tem seu tempo.
− Seu tempo nada! Tinha mais é que arranjar um trabalho de verdade, um emprego de salário-mês e aí sim, usar do tempo livre para fazer essas coisinhas.
− Bom, aí seria um hobby, não uma profissão.
− E quem disse que isso é profissão? Ta maluco? Profissão de verdade é aquela com diploma, certificado. È médico, engenheiro, advogado.
− Meu bem, é um tipo diferente de profissional, mas é uma ocupação válida sim. Não sai das faculdades em “produção de linha” como os outros, mas um escritor, basicamente, se cria. Tem que ler muito, decifrar os códigos, estruturar um estilo, se apoderar das letras e construir mundos. Enquanto se formam milhares de advogados e médicos por ano, dentro dos parâmetros estipulados, um escritor tem que ser lapidado, exercitado, tarimbado, entende? É sim, uma profissão, sendo que até é reconhecida pelo Ministério do Trabalho. Número 2615 do Código Brasileiro de Ocupação (do 05 ao 30): Autor-roteirista, crítico, escritor de ficção, escritor de não ficção, poeta, redator de textos técnicos...
− Isso é desculpa de quem não quer trabalhar. Vai me dizer que você faz isso tudo aí.
− Não, querida. Sou um escritor de ficção, que pode ser contista, cronista de ficção, dramaturgo, ensaísta de ficção, escritor de cordel, de folhetim, estórias em quadrinho, novela de rádio, de televisão, obras educativas de ficção, fabulista, folclorista de ficção, novelista (escritor), prosador, romancista... Bom, isso é quando eu to sóbrio, porque quando tomo umas, cometo uns poemas, prá lá de etílicos.
− To sabendo, isso é desculpa sua para não fazer nada e ainda encher a cara.
− Fazer o quê, se o “desregramento dos sentidos é a melhor via para o desconhecido”, como diria Rimbaud, o doce maldito...
− Quem é esse tal de Rambo? É outro desses imprestáveis que andam contigo nos botecos? Deve ser né, porque até você xinga o cara de “maldito”!
− Bom, é que... De certo modo... Ah, deixa prá lá.
− Ta vendo? Falo sempre que esse negócio de escritor é fachada para ficar de pernas por ar!
− Mas querida, se eu não investir na carreira, dedicar meu tempo, como posso fazer algo que valha à pena? Como posso ser sincero com minhas escritas se não as levo a sério? Se não aplico meus esforços para estruturar minha obra, fazer pesquisas, estudar outras vertentes da escrita, aprimorar minha técnica, enfim, fazer algo que seja ao mesmo tempo instrutivo, literário, divertido, questionador... Em um país como o nosso, que tudo o que se faz pela cultura ainda é pouco, nós, os artistas, temos que ter o triplo de esforços que os outros segmentos. Temos que nos lançar de cabeça, dar a cara à tapa, sofrer privações, escutar provocações, para tentar alcançar um lugarzinho ao sol que seja...
O atendente, não percebendo o momento do discurso, ainda arrisca:
− Senhor, eu preciso que...
− Calma aí, já chego em você. Onde estariam os grandes nomes da música brasileira se, ao primeiro sinal de contratempo tivessem jogado tudo para o ar e desistido? Se o Joaquim Maria não desse voz ao Machado de Assis? Se o Antônio Renato, advogado, não tivesse dado vida ao Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbbo, deixasse o Ceará e ganhasse o mundo? Que fim teria o Angenor não se transvertesse em Cartola? O que seria de Pelé se tivesse desistido da bola?
− Isso não é para você. Não tem o talento necessário – Jurou ter visto a peçonha dela escorrendo no canto da boca. E um guizo simbilando no ar, cortando os ouvidos, lenta e mecanicamente, um momento hitchcockiano de tensão tomando corpo. Ainda tentou devolver um sorriso.
− Talvez você esteja certa. Mas eu tenho ao menos que tentar. Fazer algo de belo, ao invés de só correr atrás do vil metal. Criar, produzir, interagir.
− Isso não dá camisa. E nunca vai mudar.
− “A gente muda o mundo na mudança da mente. E quando a mente muda, a gente anda pra frente, e quando a gente manda ninguém manda na gente.”
− Neste mundo há um mar de pessoas e você é somente uma gota no oceano.
− Pode até ser, mas sou a gota revoltada...
− Você já teve uma ocupação de gente na vida, não?
− Claro...
− Quer saber, por mim pode ir à merda com essa palhaçada de escritor, artista, o que for! Eu é que não vou ficar presa a um sem futuro como você − rodopiou nos calcanhares e serpenteava porta afora quando estacou de repente, decidida a dar um fim tanto no assunto quanto no relacionamento − Se fosse tão esperto quanto parece, deixava esse negócio de lado e voltava a fazer o que fazia antes. Afinal, o que você fazia antes, seu porcaria?
O homem, honrando as calças e as palavras, abaixou-se incontinenti, abriu a mala, sacou algo de lá, apontou para a cara da cara metade e disparou. O verbo e a bala, duas vezes. Ficou olhando para a ficha, enquanto o recepcionista marmóreo do outro lado do balcão pedia aos céus que o chão se abrisse e o levasse para longe dali. O homem tomou da caneta e reformou a ocupação.
− Profissão, matador de aluguel – virou-se para o rapaz, explicativo − Pronto, agora eu quero ver alguém reclama, né? Eu mato a cobra e mostro o 38...

08 maio 2010

O Desafio do Galopeiro bêbado da beira do rio cantador

O espécie humana encontrou nas artes um dos catalisadores para exportar suas emoções e fazer florescer algo de tocante e sincero. O nome “Arte” vem do latim Ars, que significa técnica ou habilidade. Pela própria definição do nome percebe-se que não é tão simples quanto parece ser.
Era nisso que pensava eu, vivendo a tarde modorrenta e naquela seca de dar nó em pingo de pinga. Pensei em fazer algo de útil, tipo ajudar a ajeitar as coisas no mundo ou então lutar em prol de algo nobre e valioso. Algo que inspirasse as próximas gerações e fizesse com que a vida neste planeta tivesse verdadeiro sentido, levasse o nome do homem até a vigésima potência estelar ou marcasse a passagem humana na Terra de alguma forma. Mas essa vontade passou rápido e, como de costume, decidi ir para o Bar. “Uma cerveja antes do almoço é muito bom, prá ficar pensando melhor”, mas uma, três ou vinte depois do jantar é melhor ainda. A matemática nunca é uma ciência exata quando se trata de biritar.
Adentrei o BDE de forma irresponsavelmente incauta (é sempre bom estar com as orelhas em pé, vai que ta rolando um barraco ou outro?), quando dei de cara com um enorme ringue, daquele tipo mezzo Caesar´s Palace, mezzo Academia do Maguila. Reconheci alguns dos presentes, mas havia alguns rostos que, apesar de perceber ser a primeira vez que os via ali, tinham um quê estranho de conhecidos de muito tempo.
− Eita ferro. Será que a pancadaria agora vai ser institucionalizada?
− É o “Desafio do Galopeiro bêbado da beira do rio cantador” – Um zumbi de dois metros e meio (talvez três, medir os outros depois de tomar umas e outras não é um dos meus fortes), explicava o que acontecia.
− Mas, o que é isso?
− Bom, desafio porque alguém ta desafiando alguém. Óbvio. Galopeiro porque vai ter que galopar em alguma coisa, nem que seja na mesa. Bêbado porque tem que ir bebendo algo. A beira do rio cantador é que não sei bem para o que serve... Mas deixa o nome mais chique, não?
− É, pode ser.
Ajudou-me a levantar e nem bem estava pronto, me empurrou ringue adentro:
− Vai lá, a coisa é bem simples.
− Mas, mas o que eu faço?
− Sabe decassílabo, sáfico, gaita galega?
− Bom, conheço a Ritinha, que é uma galega das coxas grossas que...
− Então cala a boca e vai de prosa mesmo.
Olhei para o outro corner, o cara fazia uma cara estranha, com um protetor de mandíbula preto, daquele do Ivan Drago no Rocky IV, puro pesadelo, enquanto rosnava umas redondilhas com extrema maestria. Lembrei do que disse o Scliar: “Nunca cometi um poema na vida”. Merda... Eu já cometi alguns. Mas nada assim, metrificado, com swing e pendulo. Como enfrentar esses pesos pesados do verso? Tentei pensar em um dos grandes versadores da língua pátria, tipo faixa preta 50º Dan. Só saiu um e era gringo. Fernando Pessoa: “Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado / Para fora da possibilidade do soco”. Poema em linha reta, diretamente no nariz. Isso vai doer e não vai ser pouco...
Havia outro cabeludo no ringue, de costas. Uma espiada e vi a fuça do fulano. Olha lá, se não era o velho Dickinson:
− E aí, Bruce, que ta fazendo aqui?
− Tomando chá das cinco, palerma. Não vê que sou o juiz dessa porra?
− Mas peraí. Essa parada não é uma disputa poética?
− Sou músico. Poesia e música tem tudo a ver, “bloody bastard”!
O português do gringo me deixou sem palavras. O gongo soou e o aedo do outro lado lançou-se intempestivamente ao ataque.
Versei de leve, tomei um jab. Arrisquei começar um proseado, veio de lá um potente cruzado. Se pega, já era. Pensei em voltar pro rancho, pra não levar um gancho, mas ainda não tinha tomado nem dois goles. Nem três golpes...
Comecei a ganhar tempo, tentando salvar o que sabia de poesia da época da faculdade. Mas o catzo da coisa é que enquanto tava rolando as aulas de escansão e cositas más, aproveitei o tempo no Bar da Tia, praticando Sinuca I e II, além de halterocopismo e arremesso de guimba. É, eu to frito, pensei. Mas me ocorreu uma parada: os primeiros poetas recitavam os feitos de deuses e heróis. Daí que eram estórias contadas de maneira versada, mas estórias, mesmo assim. Isso quer dizer que tinha um quê de prosa. Melhor dar um jeito de enrolar e deixar o relógio para rodar. Começava a fazer o jogo de pernas quando alguém do meu corner gritou:
− Cuidado com o hexâmetro espondaico e o quinto pé espondeu!
Dei uma olhada de soslaio e vi que tinha uns caras tentando me dar umas dicas, cada um com um jeito mais diferente que o outro. Bailei para cá e para lá, escapei de vários tercetos, evitei uns quartetos e por fim o barulho metálico me colocou à salvo do primeiro round. Nem bem assentei e me vi cercado por três caras. O primeiro, mais atirado, foi logo falando, enquanto me passava a toalha:
“Usted tiene” que tentar acertá-lo. É “su” única chance.
− Aí, tua fuça não me é estranha...
− García Lorca, à “su dispor”. Os outros “son” monsieur Mallarmé e mister T.S. Elliot. − Três bambas, primeira categoria, pensei.
− Mas a parada é que eu não sei versar desse jeito.
“What a fuck”?
− Traduz, doutor.
− “Oura”, “Aprendemos o que é poesia lendo poesia”!
− Tá, eu concordo, mas é que...
O “boing” fez com que fosse lançado de novo no centro do ringue. E dá-lhe correr de martelos heróicos e da métrica clássica. Esquivar e esquivar, eis a única saída. O tempo, ainda bem, parecia passar bem rápido. Mas quando a luva passa rente ao nariz, tudo tem um aspecto meio câmera lenta. Voei para o corner de novo.
− O que você está fazendo?
− Sobrevivendo, chefia.
“But this is” um absurdo!
− É que sou alérgico à pancada, doutor.
Outro “boing” e olha eu de volta. Em várias voltas, devo admitir. Não parei um só momento. Aliás, até que parei, quando o vocalista do Iron, quer dizer, o juiz, me deu um puxão de orelha:
“Yeahhh”, falta combatividade. Menos um ponto.
− Melhor um ponto a menos no placar que dois a mais na cara.
What?
− Deixa prá lá...
Havia sobrevivido até o oitavo round. Como tudo acabaria no décimo, já estava quase lá.
− Porque você “non” acerta ele?
− Falta de molejo poético, saca?
− Veja, “enfant”. Muita gente já tentou definir poesia. Acredito que “ a poesia se faz com palavras, e não com idéias”.
“Todas as coisas tem o seu mistério, e a poesia é o mistério que todas as coisas tem”. − Lorca estava extremamente exaltado. Por fim Mallarmé retornou, ofídico:
− Acabe com “la resistance” de seu “adversarie” acertando umas tônicas bem no “fígadô” dele – protestei no ato:
− Queisso rapaz. Sei que é uma luta, mas é na brinca. Sou contra esse negócio de acertar a zona hepática. Como bom biritum, sei o quanto isso dói.
“Oui”, você é quem sabe, “non”? Mas lembre-se daquele ditado sobre valer tudo no amor e na “guerre”.
Aquilo me deixou bem bolado. Até agora estava no lucro, a sorte do meu lado e os reflexos apurados. Mas as goladas de cerveja que tomava à cada intervalo estavam começando a surtir efeito: meus reflexos com certeza não agüentaria muito mais. Eu seria atingido, uma hora ou outra. Era questão de tempo. Foi o tempo do gongo soar de novo. Parti para o ataque, desta vez. Comecei soltando uma lorotinha básica e emendei um direto:
−Aê, já ouviu falar do “verso catatônico”?
−Cuma?!
O verbo entrou direitinho, passou pela porta e a fresta, entrou como quem acaba com festa, entre a beirada da sobrancelha e o meio da testa. Foi pá e bola. “Ta lá um corpo estendido no chão...” Ia virar só comemoração quando o juiz (sempre ele), gritou:
− Golpe baixo! Utilizou-se de um verso heterométrico! Metrificou, mas com grande variação!
Perdi mais um ponto e nem me importei. O importante é que não tinha levado na fuça. Deram um tempo para o outro se ajeitar, fiquei ali, na expectativa, entre o calor da glória e a frieza da vida.
O gongo soou mais uma vez e lá fomos, os dois, arremessados um contra o outro, a cento e sessenta e quatro sílabas por hora. Choque frontal, colisão de carrilhões, tragédia de trem-bala: o impacto foi sentido à mesas de distância. Vôo solene, aterrissagem forçada.
Mas o que ninguém esperava, aconteceu. Knockout Duplo: quando dois pugilistas golpeiam-se simultaneamente. Contagem aberta para ambos os lados, quem se levantasse seria considerado vencedor. A cabeça ainda balançava muito, mas eu comecei a reerguer-me. Do lado adversário veio o sussurro:
− Se ficar no chão, pago a cervejada no botequim.
− Ok, mas com uma porção de salaminho também?
− Meia porção. Mas pode pedir uma dose de pinga.
− Duas doses. E com limão!
− Negócio fechado.
Estiquei-me lá e fiquei vendo o juiz apontar o fim da contagem, a luta foi considerada nula. Aproveitei para pegar a mesa de sempre, no canto do boteco, ao lado do balcão, meio na penumbra. Os três do corner vieram beber comigo, assim como o adversário ferido. Mas o organizador da parada, o zumbi de dois metros e meio, passou jurando:
− Isso não vai ficar assim. Te pego lá fora... − afastou solene, com domínio dos pés, direito e esquerdo.
“Usted non tienes” medo?
− Agora não – apontei para a prateleira de bebidas – Enquanto aquilo estiver estocado, não pretendo sair tão cedo.
− E quando acabar tudo?
Puxei minha Remington 12 para o lado e disparei:
− Aí eu dou um jeito...